Brasil e Reino Unido fecham acordo na área de defesa

O Brasil e o Reino Unido decidiram selar parceria na área de defesa. Um acordo de cooperação entre os dois países será assinado hoje à noite, no Rio de Janeiro, com a presença do secretário britânico de Estratégia de Segurança Internacional, Gerald Howarth. O objetivo é trocar experiências e desenvolvimento de tecnologia.

DANIELA MILANESE, Agência Estado

14 de setembro de 2010 | 16h31

O setor de defesa e segurança do Brasil desperta forte interesse de empresas britânicas. O processo de modernização das Forças Armadas e a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas levam as companhias baseadas no Reino Unido a montar planos de atuação no País, onde até hoje não conquistaram muitos negócios.

A cerimônia para selar a parceria ocorrerá a bordo do navio de assalto anfíbio HMS Ocean, da Marinha Real Britânica, que está em águas brasileiras. O secretário de Estratégia de Segurança Internacional lidera uma delegação de empresas britânicas ao País e fará a assinatura do acordo. "As relações anglo-brasileiras sempre foram fortes e o objetivo da minha visita é fortalecer esses laços, principalmente assinando um tratado de cooperação de defesa com o governo brasileiro", diz Howarth, em nota.

Negligenciado no passado, o Brasil hoje atrai forte interesse do governo e empresas britânicas, agora que o país tenta se recuperar da crise econômica. O novo governo de coalizão montou uma estratégia de negócios voltada especialmente para nações emergentes. Recentemente, o ministro de Negócios britânico, Vince Cable, esteve no Brasil, considerado neste momento um "parceiro-chave".

A iniciativa em relação ao Brasil mostra também que os britânicos buscam recuperar espaço perdido para outros países da Europa, especialmente a França. A disputa para a venda de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), por exemplo, está centrada no Rafale da francesa Dassault, no Gripen NG da sueca Saab, além dos F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing.

Marinha

Uma das maiores interessadas no País é a BAE Systems, líder do setor na Europa. A companhia apresentou uma oferta ao governo brasileiro para participar da renovação de frota da Marinha, por meio do fornecimento de navios de guerra. Segundo a empresa, a proposta não está baseada num número específico de embarcações, mas sim no oferecimento de parceria para o desenvolvimento do projeto. A decisão sobre o número de navios ficaria a cargo da Marinha.

Acredita-se que a necessidade brasileira pode chegar a seis patrulhas e seis fragatas. Caso os navios sejam construídos no Reino Unido, o valor de um eventual contrato seria de US$ 4,475 bilhões, calcula o Financial Times. No entanto, o mais provável é que somente as primeiras embarcações sejam feitas em solo britânico e as demais sejam construídas no Brasil, conforme uma fonte do setor. A BAE diz que se dispõe a transferir a tecnologia para um parceiro brasileiro.

A companhia também oferece ao País a possibilidade de se tornar parceiro estratégico de seu programa global de desenvolvimento da nova geração de navios de combate, que inclui o Type 26 para a Marinha britânica, com previsão de entrar em operação no início da nova década. "Se envolver nesta fase inicial dará ao Brasil a oportunidade de influenciar no design", diz comunicado da BAE.

No curto prazo, a companhia acredita que o Ocean Patron Vessel será uma opção atrativa para a Marinha brasileira, pela capacidade de vigilância das instalações de petróleo e gás.

Escândalo

Recentemente, a BAE se envolveu em um dos maiores escândalos corporativos do Reino Unido. No início de 2010, teve de pagar 300 milhões de libras (R$ 840 milhões) em multas por acusações de ter pago propina para conseguir contratos em alguns países nos últimos anos.

Após amargar uma recessão econômica por um ano e meio, o Reino Unido busca formas de reativar o crescimento econômico. O setor de defesa, relevante no país, é uma das maiores apostas, diante do encolhimento do mercado financeiro, após a crise global. Foi essa mesma indústria que avançou fortemente nos anos de Margaret Thatcher, em meio a negócios polêmicos para venda de armas a governos do Oriente Médio.

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