Brasil é o quinto lugar mais arriscado do mundo para jornalistas

Levantamento da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão mostra que país teve oito mortes de jornalistas em 2015

Luísa Martins, O Estado de S. Paulo

22 de fevereiro de 2016 | 15h36

Brasília - O Brasil teve, em 2015, um "ano cruel" para a liberdade de imprensa, avalia a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). A entidade divulgou um relatório que mostra o País no quinto lugar mais arriscado do mundo para jornalistas, somando 116 registros de violações como assassinatos, agressões, ameaças e ofensas.

Com oito mortes comprovadamente associadas ao exercício da profissão jornalística - um jornalista, quatro radialistas e três blogueiros -, o Brasil perde apenas para Síria, Iraque, México e França. Está "ganhando" inclusive de países que estão em guerra, como Iêmen e Sudão do Sul. É o pior desempenho em 23 anos.

As violações ocorreram principalmente no Nordeste, com profissionais de imprensa que cobriam, em geral, política e escândalos de corrupção. Os agressores são, em primeiro lugar, os alvos da apuração jornalística, seguidos por manifestantes e policiais - algo que preocupa a Abert.

"Os policiais têm como obrigação garantir a segurança do profissional enquanto ele exerce seu trabalho. Quem tem como princípio levantar informações para prestar serviço à sociedade não deveria ser alvo", afirma o presidente da entidade, Daniel Slaviero.

O número de jornalistas mortos tem aumentado de quatro anos para cá, passando de 5 em 2012/2013 para 8 em 2015. "Estão tratando câmeras, máquinas fotográficas e celulares como armas, o que é inadmissível", apontou Slaviero. "Não é que jornalistas estejam acima de qualquer cidadão, mas sempre que repórteres, fotógrafos e cinegrafistas são impedidos de trabalhar, quem mais perde é a sociedade brasileira."

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