Brasil é o 2º maior mercado de cocaína, dizem EUA

O Brasil é o segundo maior país consumidor de cocaína no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo estimativa do governo americano, disse o subsecretário do Bureau Internacional para Assuntos de Entorpecentes e Repressão Legal dos EUA, James Mack. Em visita ao Brasil para participar de reunião com autoridades policiais e da área de segurança do governo brasileiro, ele anunciou que os Estados Unidos vão contribuir com US$ 6 milhões, neste ano, para auxiliar no combate e prevenção ao tráfico de drogas.A afirmação do subsecretário, no entanto, foi contestada em nota da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), órgão ligado à Presidência da República, que divulgou não haver dados concretos para permitir tal conclusão. "A Senad recebeu com estranheza as afirmações do embaixador James Mack", diz o texto. "A metodologia utilizada pelo governo dos EUA nesta questão é desconhecida pelo governo brasileiro, e não há dados concretos que corroborem as afirmações."A nota explica que a Senad "só terá uma opinião conclusiva sobre o consumo de cocaína no Brasil ao término da primeira pesquisa domiciliar nacional sobre o uso de drogas no País, que vem sendo feita em parceria com o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas e que ficará pronta no início do segundo semestre deste ano". De acordo com Mack, porém, o consumo médio anual de cocaína no País gira em torno de 45 toneladas, enquanto nos Estados Unidos alcança 266 toneladas. O subsecretário afirmou que a estimativa é feita com base na quantidade de droga movimentada no Brasil - tradicional corredor de passagem rumo ao mercado europeu. Segundo ele, metade da cocaína vinda da Colômbia, Bolívia e do Peru acaba sendo consumida no País.À frente de um orçamento de US$ 1 bilhão, este ano, para auxiliar os governos de 50 nações "amigas" a combater às drogas, Mack disse que o consumo de entorpecentes caiu pela metade nos Estados Unidos, nas duas últimas décadas. O subsecretário afirmou que, em 1990, cerca de 80% da cocaína produzida no planeta tinham como endereço final os EUA, proporção que atualmente é inferior a 50%. "E a produção mundial continua praticamente a mesma", disse ele, informando que o volume de drogas que antes ia para os EUA tomou outros rumos, como a Austrália e a própria América Latina.A comitiva chefiada por Mack discutiu com autoridades brasileiras o conflito colombiano entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo Mack, a fronteira brasileira está longe do centro da produção de drogas e, portanto, sem risco iminente de invasões. Em relação à chamada região da tríplice fronteira entre o Brasil, o Paraguai e Argentina, o coordenador do Escritório de Contraterrorismo do Departamento de Estado, Steven Monblatt, afirmou que não foram encontradas lá células terroristas ligadas a Osama bin Laden. Ele disse que a preocupação dos EUA na região é com o possível financiamento de atividades terroristas com recursos obtidos em atividades ilegais.

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