Brasil e México podem chegar a acordo na próxima semana

O México espera finalizar na próxima semana as negociações com o Brasil para revisão do acordo automotivo que vigora entre os dois países desde 2002 e que os brasileiros ameaçam encerrar caso não consigam incluir novas regras para as importações de automóveis mexicanos.

REUTERS

01 de março de 2012 | 18h54

O ponto mais difícil da negociação diz respeito à inclusão de cotas para as exportações mexicanas, consideradas fundamentais pelo lado brasileiro. O sistema de cotas seria semelhante ao adotado entre Brasil e Argentina.

As conversas entre os dois países se aprofundaram durante a semana, mas nesta quinta-feira o secretário de economia do México, Bruno Ferrari, que esteve em Brasília na terça-feira, disse a jornalistas que seu país está disposto a renegociar o acordo sob "termos de reciprocidade".

O México, que não quer perder um importante mercado de automóveis e peças, havia aceitado na quarta-feira negociar outras demandas do Brasil: uma revisão do conteúdo de origem de exportações e a inclusão de veículos pesados no acordo de livre comércio, disseram fontes brasileiras.

Ferrari, porém, evitou comentar quando foi questionado sobre o tema das cotas que o Brasil considera uma condição não negociável para preservar o acordo.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) foi procurado pela Reuters para comentar a posição mexicana, mas não havia ninguém disponível para falar imediatamente.

Mais cedo, o secretário-executivo do MDIC, Alessandro Teixeira, disse a jornalistas que a proposta de revisão do Brasil não é protecionista e salientou que a negociação não se baseia apenas nas perdas comerciais registradas pelo Brasil.

O governo brasileiro argumenta que só no ano passado teve um déficit de 1,7 bilhão de dólares com o acordo com os mexicanos.

"O acordo produzido com o México é um acordo que não está dentro do nosso objetivo... O acordo pede um percentual de agregação de valor muito abaixo do que pedimos aqui dentro. Queremos melhorar isso", disse Teixeira.

Segundo o governo brasileiro, para exportar veículos ao México via acordo é atendida uma exigência de conteúdo local nos automóveis de 60 por cento, enquanto a exigência mexicana para seus exportadores é de 30 por cento. O Brasil quer equilibrar esses percentuais.

"É bom para o Brasil e bom para o México que vai ter que ter uma parte de produção local mexicana maior e acreditamos que esse é o caminho", argumentou Teixeira.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

Tudo o que sabemos sobre:
POLITICAAUTOMOVEISACORDO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.