Brasil e França selam primeiro acordo da aliança estratégica

Militares passarão a ter livre trânsito entre os dois países; ministro da Defesa vai a Toulon conhecer submarinos

Andrei Netto, especial para O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2008 | 18h55

Os governos de Brasil e França assinaram nesta terça-feira, 29, em Paris, o primeiro acordo da política de "aliança estratégica" no setor de Defesa. A iniciativa havia sido confirmada à imprensa pelo ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, no domingo.  Leia a matéria completa na edição desta quarta-feira, 30. Veja Também: Brasil-França: Uma aliança estratégica e comercial  Na segunda, porém, um acordo que prevê a livre circulação de militares dos dois países foi assinado com o seu homólogo, Hervé Morin. Minutos antes, Jobim havia sido recebido pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, no Palácio do Eliseu - entre audiências com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore e o criador da Microsoft. Durante 30 minutos, ambos encaminharam acordos que serão anunciados na Guiana Francesa, em 12 de fevereiro, durante o primeiro encontro entre os presidentes dos dois países.    O acordo foi confirmado na saída do Ministério da Defesa da França. Hervé Morin disse que os entendimentos são fruto de conversas diretas entre Nicolas Sarkozy e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e que seu objetivo maior é a parceria estratégica em cultura, economia, educação, treinamento e tecnologias militares. "Após o encontro entre os dois presidentes (previsto para 12 de fevereiro), vamos aprofundar mais o acordo. Queremos que o Brasil seja o maior parceiro estratégico da França na América Latina, assim como queremos que a França seja o parceiro estratégico do Brasil na Europa", enfatizou. "Estamos convencidos de que o mundo do século 21 terá o Brasil como potência." Apesar da assinatura, os detalhes do acerto anunciado ontem ainda não foram divulgados. "São questões técnicas que precisam ser ajustadas. Daremos mais detalhes a seguir", disse Nelson Jobim. Entre suas cláusulas, deve constar a proibição de que militares franceses ou brasileiros sejam processados, civil ou criminalmente. Outro ponto será o intercâmbio de pilotos para treinamento. O Ministério da Defesa brasileiro também se mostra interessado em aplicar diretrizes do programa Soldado do Futuro, desenvolvido pelas forças armadas da França.  O documento não prevê a construção de bases militares nos dois países, nem treinamento na região amazônica, como vinha sendo cogitado.

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