Brasil e França farão acordo militar

Cooperação garantirá transferência de tecnologia e permitirá ao Pais desenvolver submarino nuclear

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2008 | 00h00

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chega ao Rio no dia 22 de dezembro trazendo na bagagem um lote mínimo de três submarinos convencionais da classe Scórpene e as informações avançadas para o desenvolvimento de partes não nucleares - o casco especial de alta pressão, por exemplo - do futuro submarino brasileiro de propulsão atômica. A formalização da cooperação Brasil-França foi anunciada no Rio pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. Os navios do tipo Scórpene deslocam 1.700 toneladas, medem 66,2 metros, levam 32 tripulantes e têm alcance de 12 mil quilômetros. As versões brasileiras serão construídas de forma modular em estaleiros nacionais e no Arsenal da Marinha.A construção dos submarinos está incluída no novo negócio que o governo está criando, do tamanho de US$ 10 bilhões anuais, baseado na indústria de material militar: aviões, sistemas eletrônicos, fardas, armas, munições, foguetes livres, mísseis, explosivos, propelentes,blindados e navios leves. O Plano Nacional de Defesa, que será apresentado finalmente em dezembro, depois de dois adiamentos, contempla um setor produtivo capaz de celebrar parcerias e assumir presença internacional no setor.Um levantamento montado pelos ministérios da Defesa e Relações Exteriores apurou que, dos 32 países cujas Forças Armadas foram clientes do setor antes da crise de demanda dos anos 90, apenas dois, o Zimbábue e a Líbia, não utilizam mais os equipamentos brasileiros comprados faz 20 anos.As provas de que o Plano Nacional de Defesa é um bom negócio estão nesse momento a caminho da Malásia. Há uma semana, na madrugada do dia 13, estavam descendo a serra em direção ao Porto de São Sebastião. No comboio, formado por grupos isolados de cinco a sete carretas - sem identificação e protegidas por um discreto, porém denso esquema de segurança - seguiam acomodados nos contêineres de aço cerca de R$ 120 milhões em toneladas de foguetes, ogivas múltiplas e outros componentes do Astros-II, da empresa Avibrás Aeroespacial, de São José dos Campos.É o primeiro embarque de uma encomenda de R$ 500 milhões, que será completada em 2009. A Malásia emprega o sistema desde 2005 e criou uma unidade de artilharia de saturação só para atuar com os lançadores sobre rodas, semicouraçados, preparados para disparar os poderosos SS-80, com alcance na faixa de 100 quilômetros, armados com ogivas múltiplas, carregadas com 63 granadas de variados tipos - fragmentação, incendiária, antipessoal e explosiva. As suas encomendas na Avibrás, desde 2003, somam perto de R$ 1 bilhão. Com o batalhão operacional, a Malásia defende o estreito de Málaga, por onde escoa 90% do petróleo produzido na região.A empresa não comenta nada disso. Sami Hassuani, o presidente, limita-se a lembrar que a transação mais recente, fechada há 15 meses, só desemperrou em setembro, quando a burocracia do governo liberou as garantias de crédito exigidas pelo cliente - que ele toma o cuidado de não dizer que é o Exército da Malásia. Para atender ao pedido, o grupo, que atravessa um período de recuperação judicial solicitada, abriu 270 vagas . Antes, havia demitido 350 funcionários.DESONERAÇÃOO ministro da Defesa, Nelson Jobim, espera apresentar o Plano Estratégico ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 8 de dezembro, data provisória para a reunião do Conselho Nacional de Defesa.Jobim tem discutido o assunto com parlamentares e empresários. Ele considera que metade do faturamento projetado pode vir da linha aeroespacial liderada pela Embraer. A outra parte ficaria por conta de 120 a 300 empresas ligadas direta ou indiretamente ao ramo.O ministro quer também que a pasta da Fazenda desonere o setor. Jobim pretende mudar a legislação, de forma a permitir a concessão rápida de garantias.

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