‘Brasil e EUA têm os mesmos valores’, diz embaixador americano

Shannon afirma que as convergências entre os dois países são mais importantes que as divergências

Rafael Moraes Moura,

12 de março de 2011 | 17h07

A visita do presidente americano Barack Obama reforça a dimensão da importância do Brasil no cenário internacional, diz o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon. Em entrevista ao Estado, Shannon exaltou os caças da Boeing, falou em melhorar o comércio bilateral e minimizou os recentes atritos diplomáticos entre os dois países - em questões como o controverso acordo que o Brasil mediou com o Irã de Mahmoud Ahmadinejad, a crise em Honduras e a instalação de bases americanas na Colômbia. "Nossas convergências são mais importantes que nossas divergências", afirmou, em ótimo português, como pediu para fazer a seguinte entrevista.

 

 

Dois anos após assumir a Casa Branca, o que a viagem do presidente Barack Obama ao Brasil representará para os dois países?

 

A visita do presidente Obama mostra grande interesse dos Estados Unidos no Brasil, um reconhecimento do papel do Brasil no mundo como poder emergente. É uma reunião histórica, repleta de simbolismos: Barack Obama, o primeiro presidente americano descendente de pai africano; Dilma, a primeira mulher eleita presidente do Brasil. Os Estados Unidos veem o Brasil como uma grande nação, uma democracia fundamental no sistema internacional, na ONU e em questões como os direitos humanos. O Brasil demonstrou como a democracia e a economia de mercado podem promover justiça social.

 

 

Por falar na questão dos direitos humanos, como o senhor avalia a postura da diplomacia brasileira diante da turbulência no mundo árabe?

 

Faço uma avaliação positiva. O papel do Brasil no Conselho de Segurança, liderando a resolução contra a Líbia, foi extremamente importante.

 

Na viagem de Obama, um dos principais assuntos em pauta é a venda dos caças para a Força Aérea Brasileira, um negócio de US$ 7 bilhões de dólares (cerca de R$ 12 bilhões) que ainda não foi definido. Apesar da preferência da administração anterior pelo modelo francês, vai ser possível virar o jogo?

 

 

A concorrência segue aberta, com os caças da Boeing sob avaliação do governo. Temos a certeza de que temos não apenas o melhor avião, como o melhor pacote de transferência de tecnologia, que pode crescer com o tempo nos próximos anos. Esse pacote é inédito e estamos muito confiantes em ter o Brasil como parceiro.

 

 

A viagem de Obama vai amenizar atritos recentes entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto, como a reação americana ao acordo mediado pelo Brasil com o Irã e as divergências quanto à crise em Honduras?

 

Discordâncias são normais, especialmente quando consideramos um país como o Brasil, que tem suas próprias opiniões. Nossos valores, contudo, são os mesmos. Temos interesses compartilhados. Nossos pontos de convergência são mais importantes que os de divergência.

 

 

Abre-se a possibilidade de algum resultado concreto para as questões comerciais, como a tarifa imposta ao etanol brasileiro?

 

O etanol é um assunto que passa pelo Congresso, do qual não posso me antecipar. Mas pretendemos melhorar a relação comercial entre os dois países e aperfeiçoar as oportunidades de investimento.

 

 

 

Especula-se muito sobre a passagem de Obama pelo Rio. Afinal de contas, ele vai subir morro e discursar para a população?

 

 

O presidente Obama tem um desejo e interesse muito forte de ir para o Rio, cidade que vai receber a Olimpíada e jogos da Copa do Mundo e que passa por um tempo de muitas mudanças e transformações. É um momento de confiança no Rio e o presidente quer falar com o povo do Rio e do Brasil, mas vou guardar algumas surpresas.

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