Brasil e Cuba divergiram sobre democracia

Brasil e Cuba divergiram nesta quarta-feira sobre o conceito de democracia na 2ª Conferência de Colégios de Defesa Ibero-Americanos, realizada no Rio.Após a abertura do encontro, o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, disse que seria ?muito melhor para o Brasil? se Cuba tivesse um regime democrático formal.DesconfortoApesar de o ministro insistir na ressalva de que em hipótese alguma deve haver ingerência em decisões de outros países, a declaração causou desconforto.O chefe do Instituto de Defesa Nacional de Cuba, general de brigada Reinaldo Gomez Cuevas, que representa o País na conferência, afirmou que Cuba é ?muito mais democrática do que muitos países que se auto-intitulam democratas?.?Modelo depreciado?Numa referência explícita aos EUA, o general cubano disse que o modelo de democracia atual está ?depreciado?. ?O candidato que teve a maioria dos votos populares não é o que está no governo. Ainda assim, é um modelo que querem impor por obra e graça do espírito santo?, declarou Cuevas.?Não vou dizer que a nossa é a melhor democracia do mundo, mas Cuba é democrática, sim, e estamos convencidos de que o nosso modelo tem a participação ativa do povo nas decisões fundamentais.?O ministro Quintão havia dito que ?para o Brasil, se Cuba tiver uma solução democrática para seus problemas seria muito melhor?. Ele também afirmara que o País ?prega a democracia e quer que ela se expanda?.Não-ingerênciaEm seguida, questionado pelo Estado, defendeu a não-ingerência de outros países no regime de Fidel Castro. ?O Brasil respeita a solução que cada País tenha, mas a democracia é condição básica para a América do Sul. No entanto, se Cuba acha que o regime que está lá é o melhor, deve ser respeitada, porque defendemos o respeito à auto-determinação de cada povo e não temos o direito de pregar mudanças em outros regimes.? Alca, recolonizaçãoDefensor do fortalecimento de integrações regionais entre os países da América Latina, o general cubano fez críticas à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e defendeu um ?novo tipo de globalização?, que respeite a soberania e ?não seja neoliberal?.?Na verdade, seria um processo de recolonização dos países?, disse Cuevas, referindo-se à Alca. Ele também disse que a ?política hostil? do bloqueio que a ilha enfrenta é uma ?guerra econômica e não um simples embargo?.?Resistimos ao imperialismo há mais de 40 anos com o nível de educação e a consciência política de nosso povo, com quem vivemos um constante plebiscito.? Questionado em relação ao problema do narcotráfico na Colômbia, o ministro Quintão defendeu a integração da guerrilha urbana ao sistema político do País. ?Deve haver uma solução pacífica. A guerrilha tem 50 anos, e a inserção no ambiente político e diplomático seria em benefício da comunidade?, disse o ministro.

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