Brasil e Chile discutem defesa na região

O Brasil não concorda com a sugestão do Chile, apresentada durante reunião bilateral, para que os gastos com defesa dos países da região sigam uma metodologia comum. Depois da solenidade de assinatura de memorando de entendimento para aumentar a cooperação na área de defesa entre os dois países, o ministro da Defesa brasileiro, Geraldo Quintão, disse que "unificar por unificar é muito difícil". Quintão ressalvou, no entanto, que é possível estabelecer parâmetros, desde que respeitadas as especificidades de cada País. Hoje, o Brasil gasta 0,3% do PIB com defesa e o Chile, 1,8% do PIB. O Chile possui um acordo desse tipo com a Argentina. Os governos desses países desenvolvem, por meio da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), um método comum para registro de gastos com a Defesa. Estes estudos foram calcados em resoluções da ONU que estabelecem registros de armas convencionais e a transparência em matéria de armamento.O subsecretário de Marinha, Angel Flisfisch Fernandez, representante do Ministério da Defesa chileno, explicou que não se trata de "uma carta rígida", reconhecendo que cada país tem suas particularidades. "Mas entendo que poderemos ter um núcleo básico comum a ser discutido. Sabemos que esse é um processo demorado, mas somos otimistas", acrescentou o almirante chileno.Diferenças"Esse projeto ganha maior relevo quando reconhece e se propõe a preservar as diferenças de métodos orçamentários e de administração financeira de cada país", afirmou Quintão, em seu discurso. "Entendemos ainda ser de suma importância a observância das peculiaridades geopolíticas e estratégicas dos países, bem como as missões subsidiárias das Forças Armadas de cada um", prosseguiu o ministro. Ele se referia, por exemplo, à necessidade de preservação da Amazônia, às atividades de controle do tráfego aéreo civil e com as ações de colaboração com o desenvolvimento, além da participação de várias ações sociais. Para o ministro, essas "eventuais diferenças assimétricas" não devem separar os países, mas uni-los.O ministro Quintão defendeu ainda a necessidade de utilização "da força militar convencional para fazer frente a um novo inimigo que entrelaça diversas modalidades de violações da ordem, fazendo defrontarem-se, no mesmo campo de batalha, soldados, traficantes e guerrilheiros". Segundo o ministro, essa nova percepção exigirá "longa e profunda reflexão sobre a doutrina, a estratégia, a tática, os métodos, os equipamentos, a capacitação do homem, enfim, todos os parâmetros que envolvem o preparo e o emprego do sistema militar".Esses pontos estão estabelecidos na nova política de defesa nacional que está nas mãos do ministro, mas que ainda será levada à discussão nos meios militares. "A conjuntura internacional nos transformou, momentaneamente, em simples seguidores de decisões políticas e estratégicas, com participação marginal no caso de agirmos isoladamente", prosseguiu o ministro. Esse fato, na avaliação de Quintão, impulsiona os países a uma integração no plano de segurança e defesa, com vistas a uma atuação comum no cenário internacional, para o que muito contribuiria a proposta do ministro chileno de realização de um seminário sobre os reflexos da nova conjuntura, elaborando diagnósticos, soluções compartilhadas e referenciais comuns.

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