Brasil e África ganham força como rota de cocaína para Europa

Os traficantes sul-americanos cada vezmais levam cocaína do Brasil para a África Ocidental, e de lápara os mercados consumidores da Europa e Ásia, segundo umrelatório divulgado na terça-feira por uma ONG do setor. "Certamente houve um aumento no tráfico de drogas ecocaína, grande parte da qual na rota sul, do Brasil para aÁfrica", disse o chefe do Escritório da Organização das NaçõesUnidas (ONU) para Drogas e Crimes, Giovanni Quaglia, emBrasília. "Esta nova rota, que abastece principalmente Europa eÁfrica, está chamando a atenção da comunidade internacional",disse Quaglia ao apresentar o relatório da DireçãoInternacional de Narcóticos, agência independente que monitoraa implementação das convenções da ONU contra narcóticos. O Brasil faz fronteira com os três maiores produtoresmundiais de cocaína (Colômbia, Bolívia e Peru) e além de seruma rota da exportação é também um grande mercado consumidor. Até 70 por cento da cocaína boliviana vai para o Brasil,segundo estimativa da Polícia Federal citada no relatório. Amaior parte da droga acaba em cidades como Rio de Janeiro e SãoPaulo, onde quadrilhas disputam violentamente os pontos devenda. De acordo com Quaglia, os traficantes estão enviandococaína de pureza elevada por intermédio de países da ÁfricaOcidental, como Cabo Verde. Estima-se que 25 por cento da cocaína da Europa entre pelaÁfrica, e que 60 por cento da cocaína que passa porGuiné-Bissau venha do Brasil. "A direção nota com preocupação o aumento no tráfico decocaína da Colômbia, e também via Brasil e Venezuela, para aÁfrica", afirmou o relatório, citando facilidadesproporcionadas por afinidades culturais e lingüísticas (CaboVerde e Guiné-Bissau são ex-colônias portuguesas). O Brasil vem melhorando o combate ao tráfico, e no anopassado prendeu o colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia,considerado pelos EUA como um dos principais traficantescolombianos. Na terça-feira as autoridades questionaram se o tráfico decocaína no Brasil realmente está aumentando. "O aumento doconfisco reflete uma melhor fiscalização, não necessariamenteum aumento do tráfico", disse o general Paulo Roberto Uchoa,secretário-nacional antidrogas, durante a apresentação dorelatório. A implementação da lei que autoriza o abate de aviõessuspeitos de fazerem tráfico, em 2004, pode ter incentivado ostraficantes colombianos a buscarem meios fluviais e terrestrespara desovar a droga, especialmente através do Paraguai,segundo Uchoa. A polícia brasileira carece de recursos e de pessoal parapatrulhar os 9.000 quilômetros de fronteiras com os paísesprodutores de cocaína e com o Paraguai, segundo RobertonTroncon, encarregado do combate ao tráfico na PF. "As rotas das drogas estão constantemente mudando, e não hálimites para o que eles podem tentar", disse Troncon.

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