Brasil é 46º no ranking mundial da corrupção

O Brasil continua a figurar entre os países mais corruptos do mundo, de acordo com o Índice de Percepções da Corrupção (IPC) de 2001, divulgado hoje, simultaneamente, em São Paulo e Paris pela organização não-governamental (ONG) Transparência Internacional (TI). No Brasil, o IPC foi divulgado pela associada Transparência Brasil.O Brasil obteve nota 4,1 na pesquisa feita pela organização em 91 países, dentro de uma escala que vai de 0 (países altamente corruptos) a 10 (pouco corruptos). No ranking geral, o Brasil ficou em 46.º lugar, classificação pouco melhor que a de 2000, quando obteve a 48.º posição.Mas esta mudança "é praticamente insignificante", segundo o presidente do Conselho Deliberativo da Transparência Brasil, Eduardo Capobianco. No índice de 2000, o Brasil obteve a nota 4. "É praticamente a mesma nota", avalia Capobianco. "A mudança de classificação no ranking deve ser atribuída apenas à entrada de novos países na lista." Neste ano, oito países saíram da lista e outros nove entraram. A mudança foi provocada pela metodologia usada na montagem da lista. A organização só inclui países onde foram realizadas, pelo menos, três pesquisas de opinião feitas por diferentes instituições.O universo de pesquisados é altamente elitizado. Empresários, políticos, burocratas, acadêmicos, estrategistas empresariais e diplomáticos estrangeiros em atuação no Brasil e, em menor escala, cidadãos comuns.As pesquisas são realizadas por organismos independentes como o Banco Mundial (Bird) e o Word Economic Forum, e visam a definir estratégias de investimentos e de atuação de grandes instituições nos países investigados. "Todos os anos, a Transparência Internacional compila os resultados destas pesquisas, dá à eles um tratamento estatístico para unificar os índices e monta o ranking", explica o secretário-geral da entidade, Cláudio Weber Abramo. No Brasil, cinco institutos diferentes realizaram nove pesquisas. De acordo com Abramo, a característica destes estudos permite um grau sofisticado de percepção da corrupção nos países analisados. "O universo pesquisado é o de pessoas muito bem informadas e, normalmente, o aumento ou diminuição de denúncias de corrupção feitas pela mídia não influenciam os resultados", avalia ele.De acordo com Capobianco, a manutenção da nota do Brasil dentro da mesma média nos últimos três anos (em 1999, o Brasil obteve 3,9) "deixa claro que o País não tem feito nenhum trabalho nesta área". A Transparência Internacional desenvolve programas institucionais de prevenção da corrupção em várias regiões. "Nos países da África, a corrupção é dramática e afeta até os programas internacionais de ajuda à fome e ao combate à aids", exemplificou Abramo.Países percebidos como menos corruptos:01- Finlândia 9,9 (10)02- Dinamarca 9,5 (9,8)03- Nova Zelândia 9,4 (9,4)04- Islândia 9,2 (9,1)Cingapura 9,2 (9,1)06- Suécia 9 (9,4)07- Canadá 8,9 (9,2)08- Holanda 8,8 (8,9)09- Luxemburgo 8,7 (8,6)10- Noruega 8,6 (9,1)11- Austrália 8,5 (8,3)12- Suíça 8,4 (8,6)13- Grã-Bretanha 8,3 (8,7)14- Hong Kong 7,9 (7,7)15- Áustria 7,8 (7,)16- Estados Unidos 7,6 (7,8)Israel 7,6 (6,6)18- Chile 7,5 (7,4)Irlanda 7,5 (7,2)20- Alemanha 7,4 (7,6)46- Brasil 4 (3,9)Países percebidos como mais corruptos:71- Honduras 2,7 (s/d)Índia 2,7 (2,8)Cazaquistão 2,7 (3)Uzbequistão 2,7 (2,4)75- Vietnã 2,6 (2,5)Zâmbia 2,6 (3,4)77- Costa do Marfim 2,4 (2,7)Nicarágua 2,4 (s/d)79- Equador 2,3 (2,6)Paquistão 2,3 (s/d)Rússia 2,3 (2,1)82- Tanzânia 2,2 (2,5)83- Ucrânia 2,1 (1,5)84- Azerbaidjão 2 (1,5)Bolívia 2 (2,7)Camarão 2 (2)Quênia 2 (2,1)88- Indonésia 1,9 (1,7)Uganda 1,9 (2,3)90- Nigéria 1 (1,2)91- Bangladesh 0,4 (s/d)

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