Brasil doa remédios para orfanato no Quênia

O Brasil vai doar 500 coquetéis anti-retrovirais para um orfanato no Quênia. Os remédios estão próximos do vencimento e ainda não chegaram ao seu destino, por causa de entraves na alfândega queniana. Os medicamentos foram pedidos pelo responsável pela instituição, o padre Angelo D´Agostinho, que visitou o País no ano passado. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, os coquetéis anti-retrovirais faziam parte do estoque do laboratório pernambucano Lafepe. Por estarem próximos do vencimento, não iriam mais ser vendidos. Há a preocupação de que os problemas burocráticos atrasem muito o recebimento dos produtos, e o prazo de validade se encerre. O Itamaraty informou que os remédios ainda estão em São Paulo, mas devem chegar ao Quênia nos próximos dias. Esse mesmo orfanato queniano também está tentando ser a primeira instituição na África a importar da Índia remédios genéricos contra a aids. "Estou cansado de fazer funerais", disse D´Agostinho. Apesar disso, os coquetéis indianos seriam suficientes para tratar apenas 20 das 70 crianças do orfanato. A legislação do Quênia ainda não permite a importação de genéricos, mas no mês que vem o Parlamento deve modificar a lei. O padre acredita que o governo permitirá que os remédios cheguem ao orfanato. "Algumas empresas podem tentar impedir, mas o governo vai pensar no interesse do povo." Recentemente, na África do Sul, 42 laboratórios americanos entraram com ações na Justiça para impedir a aprovação de uma nova lei que permite ao país fabricar remédios contra aids. Há atualmente 22 milhões de pessoas infectadas com o vírus da aids no continente. A maioria não é tratada por causa do alto preço dos remédios.

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