Brasil deve buscar em favelas inspiração para inovar, diz Economist

Revista diz que empresas devem se empenhar para produzir bens para os mais pobres.

BBC Brasil, BBC

18 de novembro de 2010 | 22h06

Governo e empresas ignoram a criatividade das favelas, diz a revista

A revista britânica Economist diz, em edição publicada nesta quinta-feira, que o Brasil deve buscar inspiração nas suas favelas para criar produtos e negócios mais inovadores.

Em vista à favela de Heliópolis, em São Paulo, o correspondente da revista elogia a criatividade de comerciantes locais: "Mulheres vendem produtos de limpeza caseiros nos barracos. Homens fazem cadeiras com caixas. Uma loja chamada MecFavela vende hambúrgueres."

No entanto, a revista diz que, "embora a distância entre essa economia informal e a formal esteja se reduzindo, ela permanece imensa. Muitas empresas ignoram os habitantes de Heliópolis e o governo continua a considerá-los mais vítimas potenciais do que promissores empreendedores".

Euforia

Citando o sucesso mundial de empresas brasileiras como Embraer, Vale e Marcopolo, a Economist diz que os empresários nacionais vivem um momento de "euforia", com a expectativa de que a economia cresça mais de 7% neste ano.

Mas a revista diz que as "companhias brasileiras estão fazendo bem menos do que suas rivais na Índia e na China para dominar a arte de produzir mercadorias baratas para as massas".

Segundo a publicação, produtos e serviços inteligentes para os pobres abundam no país, mas a maior parte é concebida no exterior.

"As (empresas) campeãs brasileiras estão aplicando menos engenho para produzir mercadorias para o mercado local do que para o global", diz a revista.

Investimento em pesquisa

A Economist diz que, em 2009, o país caiu 18 postos no ranking de inovação do instituto Insead (foi de 50º para 68º da lista) e que a proporção de produtos brutos exportados foi a maior desde 1978.

A revista lista como entraves à inovação no país o baixo investimento governamental em pesquisa (1,1% do PIB; a China investe 1,4%, e o Japão, 3,4%) e a burocracia.

"Os brasileiros se orgulham de sua habilidade para driblar regras bobas - eles o chamam de jeitinho. (...) Mas todo esse tempo gasto em encontrar formas de contornar regras burras seria melhor empregado à inovação em escala global", diz a publicação.

Banco Panamericano

Em outra reportagem na mesma edição, a Economist elogia a atuação do Banco Central diante da revelação de que o Banco Panamericano fraudara o seu balanço.

Segundo a revista, a solução negociada para o problema (um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito para cobrir o rombo de R$ 2,5 bilhões nas contas do banco) foi criativa e poupou o bolso dos contribuintes.

A Economist elogiou também o presidente do BC, Henrique Meirelles, dizendo que durante a sua gestão o banco "construiu uma boa reputação".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.