Brasil depende da importação de remédios

A cada ano, o País importa quantidades maiores de medicamentos prontos. Aqui esses produtos são apenas embalados por laboratórios. Em 1990, a importação de remédios somou US$ 50 milhões. Em 2000, o valor foi de US$ 1,8 bilhão. As cifras ilustram o que executivos chamam de desnacionalização da indústria farmacêutica.Mesmo quando o remédio é produzido no País, a importação não sai de cena. O País não fabrica matéria-prima para remédios. A explicação é histórica. "O governo nunca considerou os medicamentos como área estratégica para o Brasil", diz um executivo da indústria farmacêutica.Para fabricar matéria-prima para remédios, o Brasil teria de investir em química fina, um setor que transforma elementos químicos em princípios ativos. O investimento inicial para montar esse tipo de indústria não é tão alto. Mas trata-se de um segmento que está em constante evolução tecnológica, incluindo a contratação de profissionais de ponta. É essa parte do negócio que exige investimentos contínuos e altos."Não dá para um país ter química fina de tudo, mas dá para ele se especializar em alguma área e se transformar em exportador." É o que fazem a China e a Índia ao exportar matéria-prima. "Mas esses países têm menos impostos, o que estimula produção e exportação. No Brasil, há muitos impostos."O resultado de tanta dependência de importação - seja remédio pronto ou matéria-prima para fabricá-lo - é cotação em dólar. As oscilações da moeda norte-americana encarecem os remédios. O governo controla o preço, autorizando reajustes anuais para o setor como um todo. A indústria farmacêutica reclama, alegando que o controle não dá conta da subida do dólar.Mesmo com preço controlado, o remédio é considerado caro por muitos consumidores. A metade de brasileiros com renda de até quatro salários mínimos corresponde a apenas 15% do mercado consumidor de remédios. Já a metade dos que compram medicamentos ganha mais de dez salários mínimos por mês.Falhas na distribuição de remédios na rede pública de saúde e falta de condições financeiras para comprá-los na farmácia fazem mal para a saúde. O paciente reduz por conta própria a dose prescrita pelo médico ou nem faz o tratamento.Apesar de o Brasil ocupar a décima posição no ranking mundial de maiores mercados de medicamentos, o setor encolhe desde 1997, segundo dados da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma). Tanto o número de unidades vendidas quanto o valor da receita da indústria farmacêutica caem a cada ano.

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