Brasil defende rede internacional de Bolsa-Escola

O Brasil está defendendo a criação de uma rede internacional de países que mantenham programas de complementação de renda familiar semelhantes ao Bolsa-Escola. A idéia é um dos temas de discussão de um seminário internacional sobre o Bolsa-Escola.Além do Brasil, a rede deverá ser composta por países como México, Argentina, Honduras e Nicarágua, que mantêm programas no mesmo estilo do Bolsa-Escola. No México, por exemplo, existe um programa que vincula o repasse de recursos para as famílias à educação e à nutrição.A idéia por trás da rede é fortalecer a divulgação internacional desse tipo de programa, de modo que ela funcione como mecanismo de pressão para que outros países aloquem recursos nos orçamentos para viabilizar repasses às famílias. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse ontem, durante a abertura do seminiário, que o Bolsa-Escola está colaborando para reduzir a pobreza absoluta no Brasil. "Tenho certeza que os resultados vão aparecer nos estudos realizados nos próximos anos", afirmou.O Bolsa-Escola paga R$ 15 por filho na faixa de 7 a 14 anos que freqüenta a escola e que vive em famílias com renda de meio salário-mínimo per capita. No máximo, são repassados recursos para até três filhos. "Parece pouco, mas o impacto, sobretudo nas cidades mais pobres, é grande", acentuou o ministro.O representante-adjunto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Henry Jackelen, acredita que programas como o Bolsa-Escola podem ter um impacto importante no combate à pobreza - sobretudo na América Latina, região onde mais cresce a pobreza no mundo. Sua tese se apóia no fato de que no Bolsa-Escola o dinheiro chega diretamente à família, sem se perder na burocracia. "Um estudo com dados de 1995 mostra que 80% dos gastos sociais do Brasil não chegavam as camadas mais pobres da população."

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