Brasil cria cinco embaixadas, quatro delas no Caribe

Outra representação será em Bangladesh; desde a posse de Lula já foram instaurados 35 escritórios

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

O governo vai abrir embaixadas em cinco países - o asiático Bangladesh e os caribenhos Antígua e Barbuda; Dominica; São Cristóvão e Névis; e São Vicente e Granadinas. Expressa na edição de ontem do Diário Oficial da União, essa decisão alimenta a lista de novos postos no exterior abertos ao longo dos últimos seis anos como alicerces das principais linhas da política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.No total, foram criados 35 novas embaixadas desde 2003. Com a criação dos cinco novos postos, o Brasil passará a contar com 151 representações no exterior - pouco mais de três quartos dos membros da Organização das Nações Unidas (ONU).Esse total foi estrategicamente distribuído conforme demandas de ordem política da diplomacia brasileira. Dos 35 novos postos, 15 já foram instalados em países africanos. O continente atrai interesses econômico-comerciais, especialmente nos setores de mineração, petróleo, agrícola e de infraestrutura. Mas igualmente está na base da maior ambição da política exterior do governo - a conquista de uma vaga permanente para o Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas.A África, até o momento, foi alvo de oito excursões do presidente Lula, que pisou em 19 diferentes países do continente com um discurso centrado no interesse brasileiro de ampliar sua cooperação. O presidente visitou mais de uma vez África do Sul, Angola, Gana, Moçambique, Nigéria e São Tomé e Príncipe. ÁSIAO reforço à presença brasileira na Ásia comunga mais os interesses econômico-comerciais com as ambições políticas. Embaixadas foram abertas em países com presença no segmento mundial de petróleo e gás - Cazaquistão, Azerbaijão, Catar e Omã -, que também estão no centro das questões sobre a estabilidade política e a paz no Oriente Médio e na Ásia Central. A representação na Coréia do Norte, porém, foi um dos casos notórios do interesse político do governo Lula em pôr o Brasil no centro dos debates internacionais do momento.O decreto presidencial que previu sua criação foi publicado no fim de setembro passado - 12 dias antes de os EUA anunciarem a retirada da Coréia do Norte da lista de nações que apoiam o terrorismo.Sob o comando do ministro Celso Amorim, o Itamaraty justificou a iniciativa como sinal do desejo do Brasil de "contribuir" com uma eventual transição do regime comunista e atuar como um "moderador" das relações entre a Coréia do Norte e a comunidade internacional.VIZINHOSEntre as novas embaixadas instaladas desde 2003, o Itamaraty teve o cuidado de incluir o último país sem representação direta do Brasil em toda a América Latina. Belize entrou na lista de 2005.No Caribe, o Itamaraty criou três postos até o fim de 2008 e, agora, recebeu carta branca para instalar mais quatro, que, em conjunto, sustentaram um comércio de apenas US$ 13,5 milhões com o Brasil no ano passado. Longe de critérios econômicos, a distribuição atende à pretensão brasileira de consolidar a hegemonia em toda América Latina e no Caribe.

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