Brasil contribuirá com FMI para ajudar países pobres na crise, diz Lula

Volume dos recursos não foi revelado; para Mantega, emergentes devem ser prioridade.

Fernanda Nidecker, BBC

01 de abril de 2009 | 18h57

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que o Brasil está disposto a contribuir com recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI) para que o órgão ajude os países pobres a combater a crise financeira internacional.

A declaração foi feita a jornalistas dentro do trem Eurostar, que transportou a comitiva presidencial de Paris a Londres, onde será realizada nesta quinta-feira a reunião de cúpula do G20, o grupo que reúne as maiores economias do mundo e os principais países emergentes."O Brasil não é um país pobre e pequeno. O Brasil é um país grande. O que faltava para ele era respeito. Como agora ele se autorrespeita, poderemos fazer as coisas com mais igualdade de condições", disse o presidente.O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que integra a comitiva presidencial, não revelou o valor que o Brasil estaria disposto a fornecer, argumentando que o pais precisa analisar "os mecanismos que estão sendo pensados para o aporte de recursos".

"O Brasil está disposto a colaborar, mas temos de ver qual é a melhor maneira e nos adaptarmos às novas regras do jogo. São novas regras, para que o Brasil seja também protagonista".

EmergentesO ministro insistiu que o dinheiro deverá ser alocado para os países emergentes, preferencialmente.

A alocação de novos recursos para o FMI e para o Banco Mundial é um dos pontos que serão tratados na cúpula do G20 como uma das principais soluções para a crise global."As perspectivas, acho, são bastante promissoras. Estamos falando em algo próximo a US$ 1 trilhão para alocações. Não é pouca coisa", afirmou o ministro, em uma indicação de que esta pode ser a cifra que será acordada entre os líderes do G20.

Em março, durante uma reunião preparatória para a cúpula desta quinta-feira, Mantega e os demais ministros das Finanças dos BRICs (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) condicionaram o envio de recursos adicionais ao FMI a uma reforma da instituição, a fim de que os quatro países tenham mais influência nela.

Leia mais na BBC Brasil sobre a reunião preparatória

Posição do BrasilO presidente Lula disse que as negociações na cúpula do G20 serão duras, considerando que os países do grupo não concordam em todos os pontos.

"O que não (se) pode é imaginar que essa reunião pode terminar sem decidir nada, porque eu penso que ela começa a cair na descrença da sociedade e o que está acontecendo no mundo não pode esperar uma reunião daqui a mais quatro meses", disse o presidente.

Leia também na BBC Brasil: Em Londres, Lula cobra maturidade de líderes do G20

As semanas que antecederam o G20 foram marcadas por divergências entre os Estados Unidos e a Europa. Enquanto um lado defende o lançamento de pacotes de estímulo à economia, a Europa cobra uma maior regulamentação do sistema financeiro.

O presidente Lula afirmou que o Brasil não está mais próximo nem da posição americana ou da europeia sobre as melhores saídas para a crise global.

"Não tem modelo europeu e modelo americano. Precisamos das duas coisas. Fazer o sistema financeiro voltar a funcionar para irrigar o setor produtivo e o crédito e controlar os paraísos fiscais", disse o presidente. Lula disse que a primeira participação do presidente americano, Barack Obama, em um fórum multilateral representa um momento de "grande decisão".

"Todo mundo está com expectativa de saber o que o Obama vai dizer ou não, até porque todo mundo sabe que ele tem, por serem os Estados Unidos o país mais rico do mundo, mais responsabilidade (na crise)", afirmou o presidente.

Após chegar a Londres, Lula participou de uma recepção oferecida pela rainha Elizabeth 2ª. Em seguida jantou, juntamente com outros chefes de Estado com o primeiro-ministro Gordon Brown em Downing Street, sede do governo britânico.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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