Brasil contraria vítimas de guerra

Em uma decisão que irritou vítimas da guerra no Sri Lanka e entidades internacionais de direitos humanos, o Brasil votou a favor de uma polêmica resolução na ONU que poupa críticas ao governo do país asiático e evita investigação internacional sobre crimes de guerra. A posição do Brasil de poupar países acusados de violações está se consolidando na ONU. Nos últimos meses, já poupou a Coreia de Norte e Congo. A Human Rights Watch classificou a posição do Brasil de "lamentável". Depois de 30 anos de conflitos, o governo do Sri Lanka anunciou que a guerra havia terminado e que o grupo Tigres de Libertação do Eelam Tamil (LTTE) havia sido aniquilado. Mas a ONU alertou que os crimes cometidos tanto pelo governo como pela guerrilha precisam ser investigados.O Itamaraty acredita, porém, que a comunidade internacional precisa dar "uma chance" ao governo do Sri Lanka. A estratégia pretende obter avanços na questão de direitos humanos, e não acusar."Não estamos passando a mão na cabeça do governo do Sri Lanka. Mas não é o momento de criticar. Precisamos garantir uma cooperação para que a proteção dos direitos humanos avance", afirmou um dia antes da votação a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo. O Brasil estava disposto a negociar a inclusão de um pedido de investigações na resolução e mediar uma resolução mais dura. Mas, diante da rejeição do governo do Sri Lanka, abandonou sua proposta. Pediu apenas o julgamento de responsáveis.

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