Brasil continuará concedendo crédito, diz secretário do Tesouro

Após receber críticas publicamente do ex-presidente Lula, Arno Augustin defendeu a condução da economia do governo Dilma

Gabriela Lara, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2014 | 17h08

Porto Alegre - O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou na tarde de desta sexta-feira, 6, que o governo está comprometido com a concessão de crédito e continuará agindo desta forma. "Nós podemos manter um crescimento (da economia) proporcional ao de outros países importantes, mas obviamente isso significa a continuidade de um conjunto de esforços, inclusive de crédito", disse.

Augustin concedeu entrevista após participar do fórum organizado pelo El País em Porto Alegre. No evento, o ex-presidente Lula se dirigiu diretamente ao secretário ao fazer criticar sua atuação e a condução da política econômica do governo Dilma.

Na palestra, Lula disse que Augustin teria que explicar por que o crédito estava sendo "barrado no Brasil" se o País não tinha inflação de demanda. Em outro momento, falou que o pensamento de "tesoureiro" de Augustin impedia a concretização de certas medidas mais ousadas no Brasil.

O secretário do Tesouro Nacional afirmou que é preciso dar condições de financiamento para a economia brasileira que permitam a continuidade de uma situação de emprego que não foi tão afetada pela crise internacional, se comparada a outros países.

Segundo Augustin, o governo brasileiro sabe que é importante prover crédito às empresas e às pessoas e, por isso, o Banco Central tem uma política monetária que corresponde ao nível de crédito que se entende adequado a cada momento.

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"Esse é um processo sempre com ajuste. As próprias mudanças na política monetária são previstas, com prazo definido, e elas significam injeção maior ou menor de crédito, para que você olhe de um lado o efeito no emprego, na atividade econômica, e de outro o efeito nos preços."

Ele ponderou, no entanto, que o mecanismo de liberação de crédito não depende somente da vontade do governo, sendo definido conforme as regras existentes no País. "O Brasil é um dos países que tem o crédito mais seguro, o sistema financeiro mais sólido. Já estamos trabalhando com o regramento de Basileia, portanto o Brasil tem totais condições de continuar provendo o crédito com segurança, que é o que vem sendo feito", revelou.

 

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