Brasil continua em destaque na imprensa argentina

O Brasil ganhou as principais manchetes de todos os jornais na Argentina com assuntos bastante desagradáveis: as turbulências nos mercados e a repercussão do artigo do The New York Times sobre o suposto problema de alcoolismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O irônico Página 12 abriu sua edição desta terça-feira com o título em letras garrafais: "Aguante Brasil", que em português seria mais ou menos: "Segura Brasil". O jornal publica duas páginas sobre o Brasil, uma das quais sobre a polêmica criada entre o governo e o jornal norte-americano, intitulada "uma caipirinha envenanada do New York Times". O Página 12 trata o assunto como uma questão diplomática ao afirmar que o artigo "provocou mal estar nas relações Brasil Estados Unidos" e ao reproduzir as declarações do ministro Luis Gushiken de que o texto estaria "à serviço de governos centrais que depreciam a soberania alheia, buscam interferir em questões internas e tentam impor uma visão unilateral". Em outra reportagem, o jornal informa sobre protestos em Brasilia dos "sem terra", de trabalhadores de bingos e de índios e a visita da missão do Fundo Monetário Internacional, para mostrar os "problemas internos" do País que estão sendo sacudidos pelo cenário internacional.O Clarín também dá destaque à "profunda indignação do Brasil com um jornal dos Estados Unidos", explica que a mesma se deve à "uma reportagem do The New York Times que tratou Lula de ?bêbado?" e afirma que "estas afirmações foram qualificadas de calúnias e difamações". Porém, "apesar da veracidade da acusação, o certo é que tudo isso influenciou nos mercados". O La Nación faz um alerta sobre "o efeito caipirinha" e também publica ampla reportagem sobre as suspeitas de alcoolismo de Lula sob o título "cresce a indignação no Brasil pelas acusações contra Lula", na qual destaca ainda que até "a oposição expressou seu mal estar pelo artigo do The New York Times". O jornal ressalta trechos da nota oficial de resposta do governo brasileiro, do mencionado artigo e de declarações de políticos opositores a Lula que o defendem, como Geraldo Alckmin e Antônio Carlos Magalhães.O Infobae também remete-se ao problema provocado pelo artigo do The New York Times mas o destaque fica por conta da "sombra do default sobre o praça brasileira", uma reportagem na qual o jornal detalha o nível de tensão no mercado brasileiro provocado pelo cenário internacional. A situação, destaca o Infobae, é agravada por causa das "dificuldades do governo de Lula para alinhar sua tropa no Congresso e as pressões de um amplo setor do oficialismo para que o presidente Lula da Silva modifique a política econômica". O sério El Cronista afirma que as coisas não estão fáceis para o presidente Lula: "a coalisão que o sustenta no Poder está descrente de sua política, enquanto os analistas financeiros pedem mais ajustes para compensar a previsível alta de taxas nos EUA, o partido aliado pede a renúncia do presidente do Banco Central e os deputados do PT ameaçam abandonar a agremiação". O El Cronista mostra "o duro golpe nas contas públicas brasileiras" com a disparada do dólar e as turbulências com a queda da Bolsa.

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