Brasil concede refúgio a dois atletas cubanos

O governo brasileiro concedeu ontem refúgio a dois atletas cubanos que abandonaram a delegação do país durante os jogos Pan-Americanos do Rio. Rafael da Costa Capote, jogador de handebol, e Michel Fernandez Garcia, ciclista, pediram para ficar no Brasil após o Pan. Ambos passam a ter direitos iguais aos brasileiros: poderão pedir dinheiro emprestado em bancos públicos, terão atendimento médico nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) e acesso à rede pública de ensino.O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), responsável pela análise do pedido, concede refúgio a estrangeiros que sofrem perseguição em seus países ou temem retaliação por motivos políticos, étnicos ou religiosos. Outros dois atletas que abandonaram a delegação cubana durante o Pan, os boxeadores Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, foram deportados. Lara e Rigondeaux foram encontrados pela polícia duas semanas depois dos Jogos, entregues à Polícia Federal e embarcados de volta a Cuba em um avião de prefixo venezuelano. Os dois não poderão mais participar de competições internacionais. Em artigo publicado no jornal oficial cubano Granma, o ditador cubano, Fidel Castro, chamou os atletas de traidores e os comparou com um "soldado que abandona seus companheiros em meio ao combate". O embaixador de Cuba no Brasil, Pedro Mosquera, agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a deportação rápida dos dois boxeadores. No Congresso, a oposição cobrou explicações do governo brasileiro. O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que os cubanos voltaram para casa porque quiseram. "Os que foram queriam ir, os que ficaram queriam ficar, mas parece que isso não entra na cabeça de alguns jornalistas e críticos do governo", afirmou à época.

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