Brasil compra helicópteros militares russos e quer ampliar colaboração

Negócio foi anunciado em encontro de Lula com o presidente russo no Rio.

Fabrícia Peixoto, BBC

26 de novembro de 2008 | 18h00

O governo brasileiro confirmou nesta quarta-feira a compra de 12 helicópteros de combate russos para Força Aérea Brasileira e afirmou querer aprofundar a colaboração tecnológica entre os dois países. O anúncio da compra, cujo valor do negócio não foi divulgado, foi feito logo após reunião bilateral entre o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro.Além do contrato para compra dos helicópteros, os dois países também assinaram outros quatro atos. Um deles amplia o acordo de cooperação na área espacial, assinado por Brasil e Rússia em 2006. A venda dos helicópteros é um antigo objetivo dos russos, que "aguardavam por esse acordo há 15 anos", segundo um integrante da delegação que acompanhou Medvedev.Plano de DefesaOs russos disputam com franceses e americanos um espaço na indústria de defesa brasileira. De acordo com o Itamaraty, há grande expectativa em torno do novo Plano de Defesa, que prevê a modernização de parte das aeronaves nacionais.Na licitação da Força Aérea para compra de novos caças, os russos foram desclassificados recentemente - continuam na disputa Estados Unidos, França e Suécia.Os dois países se comprometeram a desenvolver estudos para maior utilização, no Brasil, do sistema de global de navegação por satélite russo, o Glonass.O objetivo, segundo uma fonte do Itamaraty, é criar uma alternativa viável ao Global Positioning System (GPS), de tecnologia americana e bastante utilizado no Brasil.No documento conjunto, há ainda menções a parcerias genéricas nas áreas técnico-militar e de apoio logístico e à aquisição de produtos de defesa.Os dois líderes também assinaram um acordo que coloca fim à exigência de visto para os cidadãos que permanecerem em cada país por até 90 dias.Carnes e satélitesAssunto de principal interesse do empresariado brasileiro, a exportação de carnes para a Rússia não foi citada no documento conjunto. O Brasil é o maior fornecedor de carnes para o mercado russo, mas as vendas vêm caindo nos últimos anos em função de medidas protecionistas. Os russos estabelecem "cotas" que limitam a entrada do produto, de acordo com cada fornecedor.Na última revisão das cotas, o Brasil ficou na categoria "outros" - o que, de acordo com empresários nacionais, acabou favorecendo produtores europeus e americanos.Em seu discurso, Lula disse que os dois países têm potencial para diversificar o comércio bilateral. "Não podemos ficar apenas nas commodities", disse Lula. "Falei com ele (Medvedev) sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A Rússia poderia fornecer equipamentos para novas usinas hidrelétricas no Brasil", comentou o presidente brasileiro.Lula falou ainda sobre a importância do acordo bilateral no setor aerospacial, manifestando "pleno apoio aos trabalhos de modernização do Veículo Lançador de Satélites brasileiro (VLS)".Em 2003, um teste para o lançamento do primeiro foguete brasileiro causou a morte de 21 técnicos brasileiros. Desde então, especialistas russos trabalham em parceria com o Brasil na revisão do sistema. Segundo um integrante da comitiva russa, o programa sofre com dois problemas: a influência dos Estados Unidos - que seriam contrários ao programa brasileiro - e a falta de verbas.A estimativa, de acordo com a fonte russa, é de que sejam necessários US$ 12 milhões para um novo teste de lançamento.BricDurante o encontro, os dois presidentes confirmaram a intenção de realizar, no próximo ano, a primeira cúpula do Bric, grupo que reúne Brasil, Rússia, China e Índia.O encontro, segundo Lula, será realizado em Moscou, com data ainda a ser definida. "Temos grande expectativa sobre a Cúpula, a primeira da história", disse o presidente. Logo após a reunião bilateral, no Palácio do Itamaraty, o presidente Lula disse que a crise financeira atual "é uma oportunidade para os países em desenvolvimento". Ainda de acordo com Lula, "Rússia e Brasil estão presentes nos debates mais importantes da agenda internacional" e que ambos defendem um mundo "multipolar e mais justo".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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