Brasil combate trabalho escravo, mas não causas--especialistas

O Brasil fez progressos consideráveisna libertação de trabalhadores em condição de escravidão, masnão faz o suficiente para punir os responsáveis ou lidar comsuas causas, disseram especialistas à Comissão de DireitosHumanos do Senado nesta quinta-feira. Agricultores estrangeiros frequentemente acusam seusconcorrentes brasileiros de ignorarem as regras ambientais etrabalhistas internacionais. A maior parte dos casos de escravidão ocorre na fronteiraagrícola que avança sobre a Amazônia, onde é necessária muitamão-de-obra para limpar enormes áreas de mata a serem ocupadaspor lavouras ou gado. Migrantes à procura de empregos, normalmente levados emônibus ou paus-de-arara a fazendas, acabam prisioneiros dedívidas. Muitas vezes têm seus documentos confiscados e sãovigiados por capangas armados. A fiscalização foi ampliada sob o governo de Luiz InácioLula de Silva. Desde 2003, 15.875 trabalhadores em condiçõesanálogas à escravidão foram soltos; entre 1995 e 2002, foramlibertados aproximadamente 9.125, segundo dados da OrganizaçãoInternacional do Trabalho (OIT) e do governo. "Sem dúvida o Brasil fez grandes avanços", disse PatríciaAudi, da OIT, à Subcomissão Temporária do Trabalho Escravo doSenado, na quinta-feira. CRÉDITO BARRADO Ela citou a existência de uma "lista negra" de fazendeirosproibidos de receber créditos públicos por terem usado trabalhoescravo, e um acordo firmado em 2005 por empresas que rejeitamprodutos feitos com trabalho escravo. Audi também elogiou uma unidade móvel de inspeções querealiza batidas nas fazendas, embora os críticos afirmem queesse tipo de fiscalização só descobre apenas uma pequena partedos casos. A Comissão da Pastoral da Terra, da Igreja Católica, disseque o número de relatos que recebe denunciando condiçõesdesumanas de trabalho continua constante, em cerca de 200 a 300por ano, envolvendo entre 6.000 e 8.000 trabalhadores. "O governo está investigando apenas metade de todos oscasos", disse o padre Xavier Marie Plassat, da Pastoral daTerra, à Reuters, antes de falar à subcomissão. "Ainda temos umlongo caminho pela frente." Ele disse que o Brasil precisa de educação, empregos ereforma agrária para erradicar a miséria que propicia otrabalho escravo. Especialistas dizem que faltam penas e multas mais duraspara os infratores e a devida execução das sentenças. "Até agora, ninguém foi punido por manter trabalhadores emcondições análogas à escravidão", disse à comissão Luiz AntônioCamargo de Melo, chefe da área do Ministério Públicoresponsável pelo combate ao trabalho escravo. "É umconstrangimento para todos nós."

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