Brasil ativa hoje rede de radares da Amazônia

Instalados na densa selva tropical, em locais conhecidos como Lagoa Negra e Morro do Diabo, os 120 olhos e ouvidos eletrônicos do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) entram em ação às 13 horas de hoje, ativados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante a inauguração do Centro Regional de Manaus. A rede de estações digitais, sítios de radar e sensores remotos custou US$ 1,4 bilhão e vai permitir ?blindar? virtualmente 5,5 milhões de quilômetros quadrados, uma área maior que todo o território da Europa Ocidental e abrigo de enormes reservas de recursos naturais estratégicos. O Sivam começa a operar no momento em que a escalada da crise na região cresce rapidamente. Na longa fronteira de 1,6 mil quilômetros com a Colômbia, nove diferentes frentes das Forças Armadas Revolucionárias (Farc) mantêm patrulhas de observadores. Choques com soldados brasileiros têm sido registrados regularmente desde 1999. Amanhã, às 6 horas, o Ministério da Defesa do Equador e o Pentágono vão fechar a Base Aeronaval de Manta, arrendada pelos Estados Unidos para servir ao suporte aéreo e logístico às missões de monitoramento dos vôos clandestinos a serviço do narcotráfico. ?Fechar, nesse caso, significa mais que paralisar pousos e decolagens. Significa interditar o espaço aéreo sobre Manta talvez por 400 quilômetros, o mesmo raio da zona de exclusão do sul do Iraque?, analisa um oficial brasileiro da área de Inteligência. A base convive com outros mistérios. Um deles é a presença da DynCorp, formalmente contratada pelo Pentágono para cuidar da infra-estrutura do local. A DynCorp é frequentemente associada à Agência Central de Inteligência (CIA) como executora de tarefas como a contratação de mercenários. No momento, há 200 funcionários da DynCorp em Manta, 66 além do limite estabelecido no acordo binacional. Em outubro, as facilidades militares serão reabertas, ?com uma nova pista e equipamentos de segurança para o tráfego aéreo?, conforme nota do Pentágono. Na mesma época, a capacidade de coleta de informações da Defesa americana na região será significativamente expandida. Grandes jatos quadrimotores E-3 Awacs ? versões de vigilância, alerta avançado e coordenação de missões aéreas do Boeing 707 ? partirão das instalações no litoral do Equador escoltados por supersônicos F-16 Falcon e F-15 Eagle. Os caças, com capacidade para reabastecimento no ar, serão lançados de bases estabelecidas no Caribe. O conjunto cumprirá missões sobre a Amazônia dia e noite. CartéisOs serviços de inteligência militar do Brasil e dos Estados Unidos registraram há 40 dias a presença consolidada nos limites noroeste e norte do País de cinco cartéis do tráfico internacional de drogas: os grupos Zapater, Rivera, Porras, Mendoza e Marin. Um dos líderes, Vicente Ramos Rivera, foi preso em Manaus, mas responde ao processo em liberdade. O Plano Colômbia, por meio do qual os Estados Unidos apóiam com recursos da ordem de US$ 1,2 bilhão ? mais equipamentos e assessores militares ? a repressão contra o narcotráfico, provocou um efeito multiplicador negativo nos vizinhos Equador e Peru. Nos dois países, organizações guerrilheiras ressurgiram. Os rebeldes dos movimentos equatorianos Sol Rojo (Sol Vermelho) e GCPGuerrilla Combatente Popular anunciaram em manifesto público solidariedade às Farc. O Ministério da Defesa localizou bases de treinamento em Cotapaxi, próximo do limite com a Colômbia. No Peru, o violento Sendero Luminoso assumiu a autoria de mais de 130 ações armadas em 2001. No domingo, o comando de outra facção, o Movimento Revolucionário Tupac AmaruMRTA, comunicou sua adesão aos combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e prepara-se para atuar no campo junto a pequenas comunidades rurais, segundo revelou um ex-militante, atualmente protegido pelo Exército. Todos os grupos consideram a presença de pessoal e de equipamentos dos Estados Unidos em território colombiano e do Equador como uma ?intervenção política? contra a luta revolucionária. O braço armado específico do Sivam, o pequeno Super Tucano A-29, só será entregue à Força Aérea Brasileira (FAB) no segundo semestre de 2003. Até lá, o patrulhamento armado será feito pelo AT-27 Tucano, no formato para ataque leve. Em emergência, supersônicos F-5E de Canoas (RS) e caças-bombardeiro A-1 AMX de Santa Cruz (RJ) serão deslocados em rota direta: 7 horas no ar, com um reabastecimento em vôo, sobre Brasília.

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