Brasil ataca relatório da ONU que aponta riscos do etanol

Documento feito por Jean Ziegler alerta sobre risco de aumentar a fome no mundo; País diz que distribui renda

Jamil Chade, do Estadão,

26 de setembro de 2007 | 22h32

O Brasil ataca o relator especial da ONU sobre Direitos à Alimentação, Jean Ziegler, e garante que a cana distribuiu renda nos últimos 30 anos. O especialista da ONU acaba de concluir um relatório em que aponta para os riscos do etanol aumentar a fome no mundo e pede uma moratória de cinco anos na expansão do biocombustível no mundo. Ontem, o Itamaraty decidiu responder oficialmente em um debate no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. O governo brasileiro pediu a palavra e tentou explicar que, ao contrário do que diz o relatório da ONU, o etanol feito a partir da cana-de-açúcar pode trazer desenvolvimento. No documento das Nações Unidas publicado pelo Estado com exclusividade na segunda-feira, o suíço Ziegler estima que as populações mais pobres podem sofrer com o avanço do etanol, já que aumentaria o preço dos alimentos.   Ziegler foi tradicionalmente um aliado do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Mas sua recente attitude na ONU irritou o governo. O suiço chegou a receber nos últimos dias mensagens de agradecimento por parte de lideranças do MST. O governo cubano também não escondia sua satisfação com o conteúdo do polêmico relatório da ONU.   "O Brasil tem usado o biocombustível por mais de 30 anos. Os resultados concretos para a sociedade tem sido o aumento da produção de cana, mais empregos e benefícios sociais positivos, com melhor distribuição de renda?, afirmou o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Florêncio. ? Portanto, por três décadas, o Brasil conseguiu aumentar a produção de alimentos e de cana para o biocombustível. Isso gerou um impacto positivo na oferta de alimentos, como demonstram os dados da produção agrícola e de exportações ?, argumentou Florencio.   O governos afirmou que, contrariamente â avaliação de Ziegler, produção de cana pode ter um papel importante como instrumento para a promoção do pregresso na agricultura de países em desenvolvimento.   Ziegler, não satisfeito, contra-atacou e deixou claro: "não posso concordar com a política energético no Brasil". Mostrando livros de Fernando Henrique Cardoso e de Gilberto Freyre em plenário da ONU, o relator insistiu em sua tese. Para ele, os efeitos da utilização de terras no Brasil para a cana serão ? catastróficos ? nos próximos anos. Apesar do ataque contra a posição do relator da ONU, o Itamaraty decidiu apoiar a permanência de Ziegler no posto.   O governo ainda retrucou, apontando que entre 2003 e 2007, o Brasil destinou US$ 21 bilhões ao Fome Zero. ? Como resultado, o Brasil experimentou em 2006 uma queda de 10,6% da pobreza ?, afirmou o embaixador brasileiro na ONU.

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