Brasil aprendeu a ser sério, diz Lula sobre eleição

As eleições presidenciais no Brasil não vão alterar o rumo do País, seja quem for o vencedor. A garantia foi dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma plateia de investidores espanhóis, hoje, em Madri. Depois de lembrar o preconceito que sofreu da classe empresarial nos anos 80 e 90, Lula disse apostar na maturidade política do País. "O Brasil aprendeu a ser sério", afirmou, adaptando a célebre frase atribuída ao ex-presidente da França, Charles de Gaulle.

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL, Agência Estado

19 Maio 2010 | 14h12

Com as declarações, Lula visava tranquilizar os investidores espanhóis sobre a estabilidade econômica e política do País em meio à campanha eleitoral. O cenário, lembrou o presidente, é diferente do vivido por ele mesmo nas eleições de 2002, 1998, 1994 e 1989, nas quais foi candidato pelo PT. Lula disse ter convicção de que elegerá a ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do partido à Presidência. Mas assegurou aos empresários que uma eventual vitória do pré-candidato do PSDB, José Serra, não representa um risco para a estabilidade do País.

"Embora haja diferenças de programa e de candidatos, é muito difícil quem ganhar as eleições mudar o Brasil a ponto de voltar a ser o que era antes. O Brasil aprendeu a ser sério."

Lula narrou aos ouvintes um encontro com um empresário espanhol que portava um documento com informações sobre Dilma, descrevendo-a como "guerrilheira". "Essa ex-guerrilheira pode ser a próxima presidente da República. O Brasil não aceita mais esse preconceito, esse debate." Prova disso, disse, são as boas relações que os candidatos mantém entre si. "A Marina Silva era minha ministra de Meio Ambiente até outro dia. O José Serra, embora seja do PSDB, é amigo de todo mundo aqui."

O presidente descreveu o pleito de 2010 como "uma conquista da democracia brasileira", porque traz como elemento novo a estabilidade política e econômica. "Nunca estivemos em um processo eleitoral tão tranquilo como o de agora, sem nenhum jornal e nenhum empresário com medo de quem vai ganhar."

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