Brasil ainda não atinge meta de reduzir hanseníase

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou hoje que apenas seis países no mundo, entre eles o Brasil, ainda não atingiram a meta de redução da hanseníase estipulada há dez anos pela comunidade internacional. Em 1991, a OMS decretou que o número de casos da doença no mundo deveria ser reduzido em 90% até este ano.Segundo a OMS, o Brasil - como a Índia, Madagascar, Moçambique Mianmar e Nepal - não atingiu os níveis mundiais. A organização reconhece, porém, que o País está tomando as "medidas necessárias para controlar a doença".De acordo com diretor do Centro Nacional de Epidemiologia do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, em 1985 existiam 16,4 casos de hanseníase para cada 10 mil habitantes no Brasil. "Hoje, esse número caiu para 2,7 para cada 10 mil pessoas", afirma.Segundo ele, as regiões Sul e Sudeste já atingiram a meta da OMS de registrar apenas 1 caso para cada 10 mil habitantes. O problema é a região Norte, que continua apresentando taxas relativamente altas da doença.Outro problema é que o tratamento pode levar até um ano e muitos pacientes deixam de tomar o medicamento assim que começam a apresentar melhoras. Mesmo assim, Barbosa afirma que a erradicação da doença é possível até 2005. "Trata-se de uma prioridade para o Ministério da Saúde", afirma o diretor, que lembra que os remédios são distribuídos gratuitamente no Brasil.A OMS sugere que os países com problemas devam levar os serviços médicos para perto das comunidades mais pobres. A hanseníase, que existe no mundo desde o ano 600 a.C., hoje é facilmente diagnosticada e tratada.O coquetel de três remédios tem o poder de interromper a transmissão da doença já na primeira dose. O resultado foi que, nos últimos 15 anos, 11 milhões de pessoas foram curadas da hanseníase.Outro motivo para a redução drástica do número de doentes foi a formação de uma aliança entre países, fundações de pesquisa, OMS, Banco Mundial e a empresa Novartis. A companhia farmacêutica garante que irá continuar fornecendo os remédios até 2005, quando a OMS espera ter erradicado a doença do mundo. Para isso, cerca de 2,5 milhões de pacientes deverão ainda ser atendidos.

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