Brasil acusa EUA de só protegerem a indústria farmacêutica

O diretor do programa brasileiro de combate à aids, Paulo Roberto Teixeira, acusou hoje o governo dos Estados Unidos de proteger os interesses da indústria farmacêutica em vez de incentivar a produção de drogas mais baratas para melhorar a qualidade de vida dos doentes de aids nos países pobres.Em entrevista em Nova York, Teixeira disse que o Brasil está "muito surpreso" como a posição adotada pela administração de George W. Bush contra o programa brasileiro de produção e distribuição de medicamentos genéricos antiaids. O coordenador enfatizou que o Brasil não compete com os fabricantes norte-americanos do coquetel e não tem intenção de vender sua produção de drogas genéricas para outros países.Um relatório divulgado na segunda-feira pelo governo americano não cita o Brasil como um dos países em desenvolvimento que fizeram programas eficazes de combate à aids. A lista inclui apenas Tailândia, Senegal e Uganda, que não oferecem acesso gratuito aos medicamentos. "Se no cenário mundial ou como parte das relações internacionais o USTR (Escritório de Comércio dos Estados Unidos) vai estar encarregado de dizer o que é bom e o que não é bom para a prevenção e o controle da aids - determinando até que tipo de medidas devem ser adotadas pelos países -, acho que estamos perdidos", afirmou Teixeira.O representante brasileiro defendeu também a criação de um fundo internacional de combate à aids, sustentado por doações dos países mais desenvolvidos. Teixeira esteve reunido nas últimas semanas com organizações norte-americanas discutindo propostas para o congresso mundial de aids das Nações Unidas, marcado para junho.

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