Brasil aciona OMC contra países ricos

Organização vai se reunir nesta segunda pela primeira vez para avaliar as consequências da crise mundial

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo, Agencia Estado

08 de fevereiro de 2009 | 08h19

O governo brasileiro vai acionar amanhã a Organização Mundial do Comércio (OMC) para que a entidade passe a monitorar o impacto dos pacotes lançados para salvar as indústrias dos países ricos. A OMC vai se reunir nesta segunda-feira pela primeira vez para avaliar as consequências da crise econômica no comércio internacional. O governo teme que as operações de socorro, incluindo as do presidente americano, Barack Obama, que está para ser votado, irradie pelo mundo uma nova onda de ações de cunho protecionista e nacionalista.   "Há uma escalada progressiva do protecionismo e esse cenário pode piorar, se nada for feito", afirmou o embaixador do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo. O Brasil vai afirmar que o uso de tarifas alfandegárias, a medida protecionista mais comum, é apenas a arma dos países pobres. Os ricos usam seus orçamentos bilionários para ajudar as suas empresas e é nesse campo que a OMC deveria ficar atenta.   Além do setor industrial, o Brasil destaca a explosão do volume dos subsídios no setor agrícola. É o caso do cultivo de algodão nos Estados Unidos, que voltou a ser subsidiado, mesmo que a prática já tenha sido condenada nos tribunais da OMC. O governo também se preocupa com o pacote de Obama, cujo conteúdo protecionista dificilmente será alterado até sua votação no Senado.   Mas o pacote de Obama não é o único com problemas. Na França, o governo quer usar parte dos recursos de um plano de relançamento da economia para exigir que empresas locais comprem apenas produtos franceses.   O discurso no Itamaraty é que os recursos dados às indústrias criam distorções e reduzem a competitividade dos países emergentes. "Nesse cenário, quem mais perde são os países em desenvolvimento", afirmou Azevedo.   Isso ocorre porque a grande maioria das economias emergentes depende das exportações para alavancar o crescimento. "Essa extrema vulnerabilidade ao comércio ilustra os perigos do protecionismo", alerta a própria OMC. Para a entidade, a proliferação dessas medidas ainda "diminuirá a perspectiva de uma recuperação rápida da economia mundial".   Além de recorrer à OMC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para discutir a questão com Obama, na primeira conversa entre ambos, em Washington. O encontro deverá ocorrer em seguida à participação do presidente brasileiro em seminário empresarial em Nova York, em 16 de março.   Duas semanas depois, em Londres, Lula fará um contundente discurso contra a opção protecionista e em favor da retomada da Rodada Doha da OMC durante o segundo encontro de cúpula do G-20, em Londres, conforme informou um colaborador da Presidência.

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