Brant diz que não fará "caça às bruxas"

O deputado Roberto Brant assume nesta terça-feira o cargo de ministro da Previdência e Assistência Social, assegurando que não fará caça às bruxas demitindo os apadrinhados do senador Antonio Carlos Magalhães. Ele confirmou no cargo, por exemplo, o atual secretário-executivo da Previdência, José Cechin, e avisou que, em relação às demais funções, irá avaliar depois que estiver no posto, "sempre pensando na melhor eficiência administrativa e nunca por questões políticas". "Não estou preocupado com isso", disse Brant, acrescentando que o presidente Fernando Henrique Cardoso quer pressa é na aprovação dos projetos que darão continuidade à reforma da Previdência, além de empenho no combate às fraudes, aperto do cerco aos devedores e aprovação da cobrança previdenciária dos inativos do serviço público.No caso do Ministério das Minas e Energia, onde o senador José Jorge substituirá Rodolpho Tourinho, aliado de ACM, as mudanças deverão ser mais rápidas. Apesar de o Palácio do Planalto não ter feito nenhuma exigência para a demissão dos carlistas, é o próprio PFL que pressiona para o afastamento do presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio. Ao que tudo indica o cargo será assumido por algum afilhado político do presidente do partido, Jorge Bornhausen. Um dos nomes cogitados nesta segunda-feira era o do presidente da Eletrosul, Cláudio Ávila. A idéia do governo é admitir a permanência de pessoas ligadas ao senador rebelde no governo, evitando estender o confronto. Com isso, ao mesmo tempo, mantém ACM sob tensão permanente.Na última quinta-feira, o próprio líder do PFL, Inocêncio Oliveira, chegou a pedir a Fernando Henrique que evitasse demissões em massa dos afuilhados do senador baiano.O argumento de Inocêncio é de que isso poderia provocar a ira de ACM, o que prejudicaria bastante o esforço do partido de pacificar a base. Nesta segunda-feira, para um amigo, Inocêncio admitiu a possibilidade de estar nesta terça no Planalto para a posse de Brant e José Jorge. "Eu não estaria indo para uma conversa com o presidente, mas sim para prestigiar dois amigos e correligionários", confidenciou o líder. Durante a disputa pela presidência da Câmara, em um momento de mágoa, conforme esclarece, Inocêncio chegou a dizer que nunca mais pisaria no palácio.No encontro, o líder pefelista, pediu a Fernando Henrique para "não bulir" nos carlistas, ponderando que esse não era o seu estilo e que não valeria a pena esticar a corda ainda mais. Segundo Inocêncio, o presidente concordou, o que lhe deu a certeza de que as demissões unilaterais não serão feitas.Brant explicou que o presidente lhe deu liberdade para manter ou substituir as pessoas nos seus respectivos postos e que "essas trocas, se forem feitas, serão por questões administrativas e não políticas". "Não vou perguntar quem indicou ninguém. Quero uma administração profissional, porque político lá só o ministro", avisou Brant ao comentar que conversou com ACM, no fim de semana. "Ele concorda em que eu devo lealdade ao presidente", acentuou o futuro ministro, reiterando que o senador sabe que uma coisa é a amizade e outra é sua missão à frente do Ministério.Com intuito de permitir um maior entrosamento com todos os partidos, facilitando seu trabalho à frente da Previdência, Brant anunciou que "desistiu" de se candidatar ao governo de Minas Gerais. Os pefelistas, no entanto, entendem que ele não poderá abrir mão de pleitear o cargo. Além de Brant, concorrem ao governo o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e o presidente da Câmara, Aécio Neves. "Não posso criar agora um problema político-partidário e, por isso, a idéia está arquivada", declarou ele, pedindo a colaboração de todos para a nova missão.

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