Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Braga Netto exonera assessor 'olavista' que escreveu manifesto do novo partido de Bolsonaro

Felipe Cruz Pedri costuma criar polêmicas nas redes sociais, mirando a "agenda esquerdista" e já chamou o coronavírus de 'vírus chinês'

Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2020 | 10h10

BRASÍLIA - O ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, exonerou o assessor especial Felipe Cruz Pedri, um dos nomes da chamada ideológica do governo de Jair Bolsonaro. A saída de Pedri, que estava na equipe da pasta desde o início do gestão, foi publicada na edição desta quarta-feira, 15, do Diário Oficial da União.

Fiel à cartilha do escritor e guru bolsonarista Olavo de Carvalho, Felipe Pedri é um dos autores do manifesto de fundação do Aliança pelo Brasil, partido lançado em novembro passado por Bolsonaro. Em sete páginas, o documento repete o mantra olavista de combate ao "globalismo", repudia o aborto sob todas as suas formas e defende o resgate aos "patriotas do passado, do presente e do futuro, unidos por um vínculo moral e de lealdade à pátria".

Pedri chegou ao Palácio do Planalto pelas mãos do então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS). O ex-assessor costuma criar polêmicas nas redes sociais, mirando a "agenda esquerdista", debates de gênero e as Organizações das Nações Unidas (ONU), vista por ele como uma das grandes disseminadoras do "globalismo". 

Recentemente, atacou governadores e prefeitos pelas medidas de isolamento social adotadas no combate à propagação do novo coronavírus no País. Em postagens no Twitter, costuma se referir à doença como "vírus chinês" e, a exemplo do presidente, minimiza a doença que já matou quase 2 milhões de pessoas no mundo como "gripe".

"Vamos ter a coragem de dizer que combater a histeria do caos é mais importante que combater o vírus chinês? Ou você quer parecer bonitinho na mídia social para a amiga(o) que fez de uma gripe a sua nova bandeira política-humanitária?", postou Pedri no Twitter no mês passado.

Braga Netto coordena o comitê de crise montado pelo Palácio do Planalto para organizar o combate à doença no País.

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