Braga defende investigação de militares e de militantes

Líder do governo no Senado afirma que 'ambos os lados' devem ser objeto de apuração

Guilherme Waltenberg - Agência Estado

15 Maio 2012 | 10h46

SÃO PAULO - O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), disse nesta terça-feira, 15, ser favorável à investigação  tanto de militares quanto de militantes de esquerda que faziam oposição à ditadura instalada no País em 1964 pela recém-criada Comissão da Verdade.

 

Braga recorreu a um provérbio para explicar sua posição. "Minha avó dizia que toda verdade tem três lados: o meu, o seu e o verdadeiro. A lógica nos diz que, se é uma Comissão da Verdade, ela teria de investigar todos os lados, não só as autoridades", disse, em evento empresarial realizado na capital paulista para debater o tema da sustentabilidade.

 

Braga afirmou, no entanto, que a atribuição de culpa sobre atos de violência e violação dos direitos humanos é maior por parte das autoridades. "Naquela altura, era mais provável que atos de violência partissem das autoridades, pois o País estava em um regime de exceção", disse, ressaltando: "Isso não quer dizer que não se deva investigar os dois lados."

 

A Comissão da Verdade será empossada amanhã em cerimônia no Palácio do Planalto. A declaração do líder do governo no Senado entra em conflito com a opinião de pelo menos dois dos sete nomes escolhidos pela presidente Dilma Rousseff para a comissão.

 

Em entrevista publicada nesta terça-feira pelo Estado, o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro foi enfático ao comentar a possibilidade de a comissão investigar tanto os militantes de oposição quanto os agentes públicos da ditadura. "O único lado é o das vítimas, o lado das pessoas que sofreram violações de direitos humanos. Onde houver registro de vítimas de violações praticadas por agentes de Estado a comissão irá atuar", afirmou, acrescentando: "Nenhuma comissão da verdade teve ou tem essa bobagem de dois lados, de representantes dos perpetradores dos crimes e das vítimas. Isso não existe."

 

A professora e advogada Rosa Cardoso, integrante da comissão, também descartou a intenção de investigar crimes praticados por organizações de esquerda que aderiram à luta armada. De acordo com declarações dela ontem no Rio, a comissão vai, fundamentalmente, rever "condutas de agentes públicos".

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