Dida Sampaio|Estadão
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Bradesco pede que STF apreenda Lamborghini de Collor para quitar dívida do senador

O veículo, que está no nome da empresa Água Branca Participações, da qual ele é sócio, foi apreendido pela Justiça em julho de 2015, mas acabou sendo devolvido três meses depois por ordem do ministro Teori Zavascki, que vai analisar o caso

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2016 | 18h53

O banco Bradesco entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para recuperar um carro da marca Lamborghini pertencente ao senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL). A instituição alega que o parlamentar deixou de pagar duas parcelas de cerca de R$ 40 mil do financiamento do veículo em junho e julho deste ano. O caso será analisado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato na Corte. 

O veículo, que está no nome da empresa Água Branca Participações, da qual Collor é sócio, foi apreendido pela Justiça em julho do ano passado, mas acabou sendo devolvido ao senador três meses depois por ordem de Teori. Também foram apreendidos carros de luxo da Ferrari, Bentley e Land Rover. Pela decisão, Collor não pode vender os veículos e será obrigado a devolvê-los caso seja condenado ao fim do processo da Lava Jato.

A Lamborghini do modelo Aventador foi comprada por Collor em 2014 por R$ 3,2 milhões. Na época, ele pagou metade da quantia e financiou o restante. O Bradesco Financiamentos afirma que concedeu à Água Branca um financiamento no valor líquido de R$ 1,6 milhão, que deveriam ser pagos em 60 parcelas mensais, cada uma no valor de R$ 39,3 mil. 

Como houve inadimplência, o banco conseguiu na Justiça de São Paulo, em outubro, a autorização para apreender o bem e vendê-lo, com o objetivo quitar a dívida. A juíza Juliana Mato Marzagão determinou que o débito de Collor é de R$ 1,2 milhão. Como Teori determinou que o veículo ficasse com Collor, o banco pediu autorização ao STF para apreender o carro.

Apreensão. O carro foi apreendido pela Polícia Federal em julho do ano passado durante a operação Politeia. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o objetivo era garantir a apreensão de bens adquiridos com supostas práticas criminosas. No caso do ex-presidente, a PF esteve em suas residências em Brasília, a chamada Casa da Dinda, e em Alagoas.

Collor foi citado na delação premiada do doleiro Alberto Yousseff como um dos beneficiários do esquema de corrupção na Petrobrás. Ele também foi citado pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, em seu depoimento à Justiça. O empreiteiro afirma ter pago R$ 20 milhões a Collor entre 2010 e 2012 em troca da influência do senador em negócios com a BR Distribuidora, uma subsidiária da Petrobrás (e que também foi alvo da operação).

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