Braço direito de Dantas quer depor

Ferman diz que agora defesa teve acesso a documentos

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

09 Maio 2009 | 00h00

Na iminência de ser denunciado pela Procuradoria da República por evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e empréstimos vedados entre empresas coligadas (Lei do Colarinho Branco), Dório Ferman, braço direito do banqueiro Daniel Dantas, agora pede para depor à Polícia Federal no inquérito Satiagraha. Em petição entregue ao procurador Rodrigo de Grandis, o presidente do Banco Opportunity argumenta que está em condições de prestar esclarecimentos porque sua defesa teve acesso e tempo suficiente para examinar documentos que a PF recolheu na sede da instituição financeira em blitz realizada no dia 8 de abril. Na semana passada, Ferman foi à PF, mas se negou a responder às indagações do delegado Ricardo Saadi, que conduz o inquérito. Seu advogado, o criminalista Antônio Sérgio de Moraes Pitombo, orientou-o a tal conduta porque, segundo alegou, a PF juntou 50 volumes de documentos aos autos do inquérito na noite anterior ao depoimento. "Em realidade, não se exerceu direito ao silêncio, mas houve recusa motivada de responder às perguntas", assinala Pitombo na petição ao Ministério Público Federal. O advogado pede audiência para Ferman "com o objetivo de colaborar com esclarecimentos imprescindíveis para o pleno conhecimento dos fatos atinentes à atividade lícita que exerce". O presidente do banco Opportunity já foi ouvido uma vez pela PF, em 10 de março - o relato durou seis horas e meia. Grandis foi informado sobre o pedido de Ferman. "Vou analisar, se achar necessário ouvi-lo certamente irei requisitar para que seja ouvido pela PF. Ele já foi ouvido, acompanhei o depoimento e fiz perguntas. Conheço a versão (de Ferman) sobre os fatos." DECEPÇÃO Ontem, em São Paulo, Ferman criticou a conclusão da CPI dos Grampos, que excluiu do indiciamento os delegados Protógenes Queiroz, criador da Satiagraha, e Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência. "A CPI me decepcionou profundamente. Acabou daquele jeito: prendam os suspeitos de sempre! Quem foi indiciado? Protógenes se livrou, Lacerda fugiu para Portugal. Daniel Dantas não contratou a Kroll. A Brasil Telecom contratou, o Senado contratou, a Petrobrás contratou. Mas o indiciado é Daniel Dantas." Para ele, Dantas sofre "violência tão monstruosa quanto foi o nazismo". "Os judeus eram marcados com um jota vermelho pelos oficiais de Hitler, era a senha do regime para que eles perdessem todos os seus direitos civis. É o que fazem agora no caso Satiagraha." Ferman disse que está à disposição da Justiça para depor. "Apreenderam livros comerciais, documentos de outras empresas que tinham sido de uma empresa com o nome Opportunity." Em mandado de segurança ao Tribunal Regional Federal, o criminalista Moraes Pitombo pede liminarmente a anulação da busca da PF na sede do banco Opportunity em 8 de abril, e que o material recolhido seja mantido sob custódia. Sobre os crimes que a PF lhe imputa, Ferman afirmou que "trabalha dentro da lei". "Em 25 anos de operações, jamais o Banco Central e a Receita apontaram qualquer problema no banco. Nunca houve questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários. Somos um banco prestador de serviços para gestores de fundos. Nunca houve reclamação de cliente. Geramos riquezas. Já transformei um trotskista em milionário. Não conheço fundo que rendeu tanto. Não houve evasão, trabalhamos pelos meios legais. Nosso fundo é idêntico ao Banco do Brasil, o estatuto é o mesmo, os critérios são os mesmos." Nega a prática de lavagem de dinheiro. "Chega a ser ridículo. Apontem qual foi o crime." Nega também violação ao artigo 17 da Lei do Colarinho Branco. "Nunca fizemos empréstimos vedados. Acusem o papa de adultério que estarão mais próximos da verdade. Eu administro fundos, eu tenho que zelar pela rentabilidade. Nossos clientes são os bancos. Por trás dessa campanha há interesses ilegais, imorais, desonestos, inconfessáveis." O procurador Rodrigo de Grandis não se manifestou sobre a versão de Ferman. "Dissertação de investigado eu não comento." FRASES Dório Ferman Presidente do Banco Opportunity "A CPI me decepcionou. Acabou daquele jeito: prendam os suspeitos de sempre! Quem foi indiciado? Protógenes se livrou, Lacerda fugiu para Portugal. Daniel Dantas não contratou a Kroll. A Brasil Telecom contratou, o Senado contratou, a Petrobrás contratou. Mas o indiciado é Daniel Dantas" "Os judeus eram marcados com um jota vermelho pelos oficiais de Hitler, era a senha do regime para que eles perdessem todos os seus direitos civis. É o que fazem agora no caso Satiagraha" "Em 25 anos, jamais o Banco Central e a Receita apontaram problema no banco. Nunca houve questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários"

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