Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

BR Distribuidora reabre auditoria e CPI fala em acareação com presidente da estatal

A decisão, segundo a BR, foi motivada por declarações de Frontin ao Estado que responsabilizou o presidente da BR, José Lima de Andrade Neto, e a diretoria pelos contratos que estão na mira da Operação Lava Jato

Andreza Matais e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2015 | 20h46

BRASÍLIA - A BR Distribuidora informou nesta quarta-feira, 12, que irá reabrir o processo de auditoria interna que analisou a contratação da UTC Engenharia para ouvir "novamente" o funcionário Marcos Aurélio Frontin, único responsabilizado pela subsidiária da Petrobrás por ilegalidades nos contratos com a empreiteira. A decisão, segundo a BR, foi motivada por declarações de Frontin ao Estado que responsabilizou o presidente da BR, José Lima de Andrade Neto, e a diretoria pelos contratos que estão na mira da Operação Lava Jato. Integrantes da CPI da Petrobrás defenderam uma acareação entre o funcionário e o presidente da BR. 

"Considerando as informações divulgadas e o compromisso da empresa com a elucidação dos fatos, a companhia ouvirá novamente o empregado", disse BR em nota. A empresa informou que Frontin foi "negligente" por não ter cumprido adequadamente com sua obrigação de "elaborar estimativas de preços e de se manifestar sobre propostas apresentadas", mas ressaltou que "não foram apontadas evidências materiais de atos ilícitos." 

Ao Estado, Frontin afirmou que as contratações acima de R$ 100 milhões eram da alçada do presidente e da diretoria e que não tinha ingerência  sobre esses contratos que seguiram trâmite diferente dos demais. "Foi um contrato um atrás do outro (todos com a UTC), não fui eu que aprovei, a palavra final não é minha. O limite de competência era de toda diretoria, inclusive do presidente da BR. Só que toda diretoria já saiu da empresa, exceto o presidente que esta lá ainda... Eu estou de bode expiatório nessa história. Foram contratações do nível de responsabilidade que transcende a minha competência", contou.  

A UTC assinou três contratos consecutivos com a BR Distribuidora de R$ 650 milhões. Em depoimento de delação premiada, o ex-presidente da UTC Ricardo Pessoa admitiu ter pago R$ 20 milhões para um interlocutor do senador Fernando Collor (PTB-AL) facilitar esses negócios com a BR. Collor havia indicado parte da diretoria da BR. O governo substituiu no mês passado todos os diretores ligados ao senador, mantendo apenas Lima Neto que foi nomeado em 2009 com o apoio de Collor e do senador Edison Lobão (PMDB-MA), ambos investigados na Lava Jato. 

CPI. O vice-presidente da CPI da Petrobrás, Antonio Imbasshay (PSDB-BA), defendeu uma acareação entre o funcionário e o presidente da BR. "Como sempre querem colocar a culpa no mordomo e não no dono da mansão. Evidente que a CPI pela relevância da denúncia que ultrapassa os indícios e começa a materializar provas vai convocar os dois e, se preciso, fazer uma acareação." O mesmo defendeu a deputada Eliziane Gama (PPS-MA) "Há uma acusação gravíssima que aponta para a cúpula da BR Distribuidora a responsabilidade pela contratação irregular de uma empresa implicada na Lava Jato. Todos nós sabemos que uma estatal do porte da BR não fecharia contratos milionários apenas com o aval de um gerente de área."

Relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), afirmou que a CPI irá "acompanhar o desdobramento desse capítulo envolvendo a BR com a atenção que ele merece", mas evitou defender a convocação de Lima Neto. O deputado Julio Delgado (PSB-MG) disse que se o próprio presidente da UTC admite que pagou propina é preciso que a CPI investigue o caso convocando o presidente da BR. "Acho que depende de apreciação, sim. Estamos perdendo o foco da CPI e esse caso envolve uma das principais empresas do cartel, a UTC, que atuava na Petrobrás", afirmou o congressista. 


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