Boxeadores cubanos dizem que PF tentou convencê-los a ficar

Em entrevista ao jornal do Partido Comunista da ilha, os dois atletas afirmam terem pedido para ir embora

Nelson Acosta, da Reuters

09 de agosto de 2007 | 15h12

Os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara disseram em uma entrevista publicada nesta quinta-feira, 9, pelo Granma, o jornal do Partido Comunista, que a polícia brasileira tentou convencer os dois a permanecerem no Brasil. Rigondeaux e Lara, os dois principais astros do boxe cubano, foram repatriados no último domingo, depois de uma frustrada tentativa de deserção em julho, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio.    Veja também:  Você aprova a conduta do governo no caso dos atletas cubanos?  Entrevista dos boxeadores ao jornal cubano (em espanhol) Leia íntegra do artigo de Fidel sobre os boxeadores no GranmaItamaraty não sabia sobre cubanos, diz ministro interino Fidel Castro estuda ação drástica após deserção de pugilistasApós deserções, Fidel cogita não enviar boxeadores para torneio nos EUATarso será convidado a explicar caso dos boxeadores cubanos Cubanos pediram para voltar a Cuba, diz ministério em notaBoxeadores cubanos que desertaram não traíram, diz Stevenson Na entrevista publicada pelo Granma, os pugilistas disseram que, depois de passar vários dias com uma dupla de empresários, que tinham oferecido dinheiro para que eles desertassem, os dois entraram em contato com a polícia brasileira e pediram para voltar a Cuba. "A Polícia Federal dizia que ficássemos no Brasil, que no Brasil íamos ter muito mais dinheiro que em Cuba e que iam fazer os passaportes para que virássemos oficialmente brasileiros", disse Lara, campeão mundial da categoria até 69 quilos.Rigondeaux, bicampeão olímpico dos 54 quilos, deu a mesma versão. "Todos nos diziam a mesma coisa. Não vão para Cuba, que em Cuba grandes punições os esperam." Mas, segundo o boxeador de 26 anos, eles se negaram.   Entretanto, um porta-voz da PF disse à Reuters que as autoridades não "incentivaram" em nenhum momento a deserção. "A decisão de deixar a delegação foi dos atletas. O dever da Polícia Federal em um caso desses é oferecer refúgio às pessoas, é um dever, é um procedimento. O delegado ofereceu refúgio umas três vezes. A pessoa que abandona uma delegação tem suas razões, então a polícia oferece refúgio para garantir a vida, o direito de escolha", afirmou.Em nota, o Ministério da Justiça informou que "nos seus depoimentos, os atletas afirmaram ainda não desejarem refúgio, pois disseram ''amar o seu país, seus familiares, não ter problemas políticos ou religiosos, bem como são personalidades em Cuba".   A entrevista, realizada no último domingo, horas depois da repatriação, não convenceu o líder licenciado Fidel Castro, que num editorial publicado na quarta-feira deu por encerrada a carreira dos dois principais pugilistas da ilha.  "Chegaram a um ponto sem volta como parte de uma delegação cubana desse esporte", escreveu Fidel. Fidel, que inicialmente os acusou de trair a pátria por um punhado de dólares, disse depois que se eles voltassem não seriam presos, mas sim receberiam um "tratamento humano" e um "trabalho digno."Os pugilistas contaram que não se apresentaram para a pesagem do Pan, no dia 22 de julho, porque tinham comido demais e temiam ser desclassificados. Os dois dizem manter as esperanças de continuar lutando e de representar Cuba na Olimpíada de Pequim, em 2008.(Com Guido Nejamkis, da Reuters)

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