Bové se diz vítima da repressão

De camiseta e boné com o símbolo do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o ativista rural francês José Bové disse nesta tarde que foi mais uma vítima da repressão imposta pelo governo federal contra os que defendem uma reforma agrária no Brasil. "Esse é um pequeno incidente se comparado ao que se passa nesse País contra os que lutam pela reforma agrária", afirmou, durante uma entrevista. "Já que, às vezes, há mortos."Sentado ao lado do líder do MST, João Pedro Stédile, Bové, fumando um charuto, comemorava a decisão do juiz 2ª Vara Criminal da Justiça Federal, Ricardo Humberto Silva Borne, que acatou o pedido de ordem preventiva de habeas corpus, suspendo os efeitos da notificação da Polícia Federal, no final da noite de ontem, que fixou um prazo de 24 horas, para que Bové saísse do Brasil."Toda essa história foi um fracasso total para a Polícia Federal e o governo federal", afirmou o ativista, ponderando que jornais de todo o mundo noticiaram sua detenção por quase três horas. Para ele, a ação policial deu "mais legitimidade" ao Fórum Social Mundial que o convidou. Acompanhado de outros ativistas rurais frances e da mulher, Bové está hospedado no Hotel Plaza San Rafael, um cinco estrelas da capital gaúcha. Mais de uma dezena de jornalistas franceses, incluindo a France Presse e Libération, o acompanham.Caipirinha na madrugadaNesta madrugada, depois das 3h, após o depoimento a Polícia Federal e uma entrevista à imprensa, Bové e um grupo de franceses foram para o bar do hotel, para tomar caipirinha, conversar e relaxar. O ministro francês da Economia Solidária, Guy Hascoët, que também participou do fórum, expressou sua solidariedade ao ativista tão logo ele voltou da PF. Enquanto ele estava detido, o ministro mobilizava, por telefone, a embaixada e o consulado franceses, para ajudá-lo.Ainda hoje ou amanhã, o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, receberá Bové no Palácio Piratini, como "convidado especial". Nesta manhã, no encerramento do fórum, os dois sentaram-se juntos, no espaço reservado a autoridades e personalidades.

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