Bové e Hoffmann fazem aliança contra transgênicos

O líder camponês da França José Bové e o secretário de Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Sul, José Hermetto Hoffmann, fecharam um acordo informal neste sábado contra os transgênicos e em defesa da Amazônia. Bové fará pressão, informando a sociedade francesa através de mobilizações, sobre as multinacionais francesas que compram ou vendem sementes ou alimentos transgênicos ao Brasil ou que ajudam a devastar a Amazônia. Hoffmann informará Bové sobre as empresas que exportam alimentos geneticamente modificados para a Europa. De posse desses dados, Bové rastreará quem adquiriu o produto para denunciá-lo aos consumidores de seu país. A conversa ocorreu durante o Fórum Social Mundial (FSM), na capital gaúcha. "Uma das grandes possibilidades do FSM é justamente discutir estas ações transversais", disse o dirigente da organização Via Paysanne. Bové, por exemplo, comprometeu-se a questionar a direção da rede francesa de supermercados Carrefour, que baniu os transgênicos de suas prateleiras no países do hemisfério Norte mas, no Brasil, não tomou a mesma atitude. "Se eles (os dirigentes do Carrefour) não aceitarem, poderemos fazer a contrapropaganda de seus produtos na Europa", avisou Bové. "Podemos dizer que eles afirmam que recusam os transgênicos, mas estão impondo esses produtos aos consumidores do Terceiro Mundo. Hoffmann solicitou a Bové que identifique qualquer alimento geneticamente alterado procedente do Brasil para que o mesmo possa ser feito aqui. O governo gaúcho tenta transformar o Rio Grande do Sul em Estado livre de transgênicos, considerados inseguros para consumo humano ou animal e uma eventual ameaça ao meio ambiente. Quer produzir soja convencional certificada, com mercado certo na Europa. Bové solicitou informações também sobre as empresas exportadoras que exploram sua mão-de-obra, pagando salários muito baixos. Hoffmann respondeu que estudará o assunto, porque diz respeito aos trabalhadores, mas que devem ser respeitadas "algumas peculiariedades". O secretário pediu a Bové uma ação contra a exportação de madeira bruta do Brasil, especialmente da Amazônia, que está causando devastação ambiental. "É algo inadmissível. A Europa tem que saber de onde vem a madeira", enfatizou. Bové assinalou que várias ações já têm sido feitas na Europa, com o apoio do Greenpeace, e propôs que o assunto também seja levado aos organismos internacionais. Os dois concordaram em que o comércio "não pode ser um fim em si" e que a prioridade da agricultura é "matar a fome do povo".

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