Bové diz que sofreu violência de agentes da PF

Após ter ficado detido pela Polícia Federal por quase três horas, o ativista agrícola francês José Bové foi libertado no início desta madrugada, quando retornou ao Hotel Plaza San Rafael, onde está hospedado. A Polícia Federal cancelou o prazo de sua estada no Brasil, ameaçando-o com deportação, caso ele não saia do País até a meia-noite de hoje. Ele vai recorrer da decisão.?Claramente sofri uma violência?, disse Bové, explicando que os agentes policiais ?torceram? seus braços e o pressionaram contra o banco do carro que o transportou, para que ficasse imobilizado, além de não terem apresentado nem identificação nem um documento que explicasse as razões de sua detenção.?É a primeira vez que sou expulso de um país?, comentou o ativista, durante uma entrevista concedida à imprensa na madrugada de hoje. A Polícia Federal cancelou o prazo de 90 dias concedido a Bové, quando de sua entrada no País, e determinou que saia do Brasil até a meia-noite. Se o ativista não cumprir este prazo, será deportado, de acordo com documento assinado pelo delegado Ricardo Hoff Rocha, da superintendência da PF gaúcha. O ativista foi enquadrado por ter infrigido o artigo 26 da Lei do Estrangeiros.Bové, que prestou depoimento na PF, foi notificado à 1h22 de hoje. Ao ser interrogado pelo delegado Rocha, o ativista francês foi indagado se confirmava sua presença na invasão da fazenda da empresa Monsanto, na cidade de Não-Me-Toque. De acordo com o termo de declarações prestadas, ele negou-se a responder, valendo-se do direito constitucional de permanecer calado. Ainda de acordo com o termo, Bové disse que pretendia deixar o País amanhã à noite. Segundo a advogada Andressa Caldas, da Rede Nacional Autônoma de Advogados Populares, o delegado da Polícia Federal não apresentou um documento com a autorização do Ministério da Justiça para a detenção de Bové. O delegado Rocha teria afirmado que recebeu a autorização, por telefone, vinda do Ministro da Justiça, José Gregori.O advogado Jacques Alfonsin e os procuradores da República Domingos da Silveira e Marcelo Veiga Beckhausen iriam recorrer, pedindo um habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª região, que cobre os Estados do Sul do País. Até às 2h30, a advogada Soraia Mendes, também da rede autonôma, informou que o pedido não tinha sido apresentado. Se o tribunal negar o pedido, os advogados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) irão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou ao Supremo Tribunal Federal (STF).Hoje, após a cerimônia de encerramento do Fórum Social Mundial, prevista para às 11 horas, haverá um ato público de solidariedade a Bové, de acordo com João Pedro Stédile, líder do MST, que acompanhou o ativista francês durante sua ida a Delegacia Marítima Aérea e de Fronteiras da Polícia Federal, localizada a uma quadra da superintendência na capital gaúcha. Bové participará da solenidade de encerramento.

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