Bové acusa governo de tentar intimidar o fórum e o MST

O líder camponês francês José Bové acusou na madrugada desta terça-feira o governo federal de, com a ordem de expulsá-lo, tentar atingir o Fórum Social Mundial e intimidar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).Bové afirmou que, no interrogatório que sofreu na PF, ficou claro que os policiais queriam fazê-lo dizer que fora pago para participar do encontro. "Queriam fazer crer que milhões e milhões de dólares foram gastos no fórum. O objetivo era desacreditar o caráter social e popular da reunião", declarou. Para Bové, os responsáveis pelo governo não se conformam com o êxito do Fórum Social Mundial. "E não podem suportar que, através da presença de mais de 120 países, coloquemos um projetor sobre a situação interna deste País", afirmou.A intimidação contra o MST, segundo o líder camponês, tem o objetivo de atingir "o conjunto das forças que lutam pela redistribuição das terras" e amedrontar os agricultores brasileiros que se recusam a usar organismos geneticamente modificados. "Atrás deste ato, existe a vontade deliberada de proteger a multinacional Monsanto (empresa que teve uma propriedade invadida pelo MST em Não-Me-Toque, RS, onde Bové participou de um ato de destruição de transgênicos. "Resta a pergunta: quem decide neste País, as multinacionais ou os homens públicos?", disse o ativista francês.

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