Botafogo Gonçalves será embaixador em Buenos Aires

O Itamaraty confirmou que o atual represente da Presidência da República para Assuntos de Mercosul, José Botafogo Gonçalves, assumirá a embaixada do Brasil em Buenos Aires. A indicação foi o resultado de cautelosa negociação entre a diplomacia dos dois países, e somente foi anunciada depois de obtido o consentimento do governo argentino. Para o Palácio do Planalto, trata-se do diplomata atualmente mais preparado para o posto. Para Buenos Aires, Botafogo havia se tornado um desafeto, principalmente por causa de suas duras posições negociadoras durante a mais recente crise entre os dois vizinhos.A confirmação ocorreu por meio de nota oficial, divulgada pelo ministério. A escolha de Botafogo, entretanto, deu-se no início de novembro, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu nomear o atual embaixador brasileiro em Buenos Aires, Sebastião do Rêgo Barros, para a presidência da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A opção foi mantida sob sigilo pelo temor de que uma resposta negativa da Argentina pudesse desgastar ainda mais a relação entre os dois países.Desde julho, as negociações comerciais entre os dois principais sócios do Mercosul estão suspensas, por causa de medidas adotadas pela Argentina que restringem a entrada de produtos brasileiros. A tentativa de reaproximação, em outubro, somente acentuou as arestas. Botafogo, portanto, assumirá a embaixada do Brasil em Buenos Aires com o desafio de desanuviar as relações entre os dois países.A cautela do governo ainda teve o objetivo de preservar Botafogo. Ele é considerado pelo Palácio do Planalto como o negociador mais bem preparado para assumir Buenos Aires, e tornou-se um dos maiores especialistas do Brasil em Mercosul. Mas, embora seja diplomata de carreira aposentado, a escolha de seu nome também tem caráter político. Botafogo é filiado ao PPS e, sob esse amparo partidário, foi alçado ao posto de ministro da Indústria e Comércio, entre 1998 e 1999, e depois para a secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex).Na lógica do governo brasileiro, a partida de Botafogo para Buenos Aires também deverá consolidar as mudanças efetuadas nos últimos meses no organograma do Itamaraty e apressar a "dança das cadeiras" programada para meados do ano que vem. Seu atual posto, a Representação da Presidência da República para Assuntos de Mercosul (Repsul), deverá ser extinto. As questões relacionadas ao bloco passarão a ser conduzidas diretamente pela secretaria-geral das Relações Exteriores.Esse é o posto número dois do ministério e, a partir do próximo dia 29, será dirigido pelo embaixador Osmar Chofhi - hoje chefe de gabinete do ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer. A secretaria-geral deverá absorver a diretoria-geral Integração, a área que trata do Mercosul e de suas negociações com outros países e que estava subordinada à subsecretaria-geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior do ministério. O atual subsecretário, embaixador José Alfredo Graça Lima, também deverá ter antecipada sua transferência. Considerado o principal negociador do Brasil em temas comerciais, ele deverá assumir no início de 2002 a representação do Brasil diante da União Européia, em Bruxelas (Bélgica). Anteriormente, sua partida estava prevista para meados do próximo ano. Graça Lima deverá liderar, do lado do Brasil, as negociações sobre o livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu. O atual posto de Graça Lima será ocupado pelo embaixador Valdemar Carneiro Leão, hoje diretor-geral de Assuntos Econômicos. Ele herdará a liderança brasileira nas negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e a condução dos contenciosos comerciais que envolvam o País. Já o atual secretário-geral das Relações Exteriores, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, deverá comandar os negociadores brasileiros na nova rodada multilateral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Seixas Corrêa deverá assumir, no início de dezembro, a representação do Brasil diante da OMC e dos demais organismos internacionais sediados em Genebra (Suíça).

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