Bornhausen vai ouvir PFL sobre aliança com PSDB

O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), abre nesta quinta-feira as articulações internas para definir a coligação eleitoral do partido com o PSDB. A primeira conversa será com o prefeito do Rio, Cesar Maia, que recentemente declarou que se candidataria à Presidência da República se o candidato dos tucanos ao Palácio do Planalto fosse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Depois, Bornhausen vai ouvir todos os parlamentares, governadores e dirigentes estaduais do partido, mas esse roteiro terá início só após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a verticalização, regra que impede os partidos de se aliarem, nos Estados, a legendas às quais não estejam coligados na campanha presidencial.O PFL tem candidatos ao governo de nove Estados e quer sentar à mesa com os tucanos e apresentar algumas reivindicações. Até agora, apenas em Pernambuco os dois partidos estão coligados. Além do apoio para eleger o maior número de governadores e de deputados federais, o PFL quer influir no programa de governo do PSDB como condição para fechar a dobradinha com vistas à sucessão presidencial. Bornhausen vai entregar um documento com as propostas a Alckmin. "Vou mostrar ao candidato as nossas prioridades eleitorais e administrativas", adiantou Bornhausen. O senador estará em São Paulo no fim de semana para conversar com vice-prefeito Gilberto Kassab e o vice-governador Cláudio Lembo, ambos do PFL.Menos conhecidoO PFL recebeu a escolha do governador Geraldo Alckmin com misto um de frustração e contentamento. Para os integrantes da cúpula pefelista, que torciam pela indicação do prefeito José Serra, a tarefa agora ficou mais difícil, uma vez que o nome de Alckmin é menos conhecido nacionalmente. Ao contrário do governador, Serra sairia na frente na largada. Os pefelistas acham que o governador tem potencial para crescer nas pesquisas e, como trunfo, uma administração de êxito em São Paulo, podendo exibir dados e comparar os dados com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Enquanto Bornhausen e Cesar Maia preferiam Serra, o grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) torcia por Alckmin. O senador baiana não escondia seu contentamento com a opção tucana. Por volta de 15 horas, Serra telefonou para Bornhausen e informou que abrira mão em favor de Alckmin. Ele alegou ao senador que a disputa em eleições prévias seria prejudicial e dividiria o PSDB. O grupo de Bornhausen que esperava comandar a prefeitura de São Paulo no lugar de Serra ficou frustrado.Falta consensoSe decidir pelo acordo eleitoral com o PSDB, o PFL terá de buscar consenso interno para indicar o candidato a vice-presidente. O líder do PFL, senador José Agripino (RN), é o mais cotado e transita bem nos grupos de ACM e Bornhausen, além da simpatia que nutre entre os tucanos. Mas outros nomes estão à mesa como dos senadores José Jorge (PFL-PE) e César Borges (PFL-BA). Bornhausen não tem pressa e quer discutir com Alckmin o perfil de seu vice. "Vamos com calma", ponderou ACM. "Não pode ser um vice que tire voto", observou Bornahusen, esquivando-se a dar nomes. No PFL, há também um grupo de políticos contrário à coligação presidencial. O argumento é que, mantida a verticalização, é melhor deixar o partido livre para fazer as alianças mais convenientes nos estados. É o que pensa a senadora Roseana Sarney (MA), que sempre assumiu posições simpáticas ao governo de Lula.

Agencia Estado,

14 de março de 2006 | 18h46

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