Bornhausen reelege Aleluia; ACM é derrotado; Lula racha PFL

O líder do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA), foi reeleito para o cargo, por 39 votos contra 24 dados ao candidato Pauderney Avelino (AM) e um voto em branco. O resultado significa uma derrota para o grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (BA) e uma vitória do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e fortalece a tese de manter o partido na oposição ao governo. Pauderney Avelino representava a corrente do senador ACM, cujo grupo vinha colaborando com o governo.O clima na bancada foi tenso e o partido, declaradamente, se mostrou dividido. "Este resultado é ruim porque mostra que o partido está rachado", disse o vice-presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL-PE). "Seria menos trauma se não houvesse a participação ostensiva do presidente do partido, Jorge Bornhausen, na defesa de um dos candidatos". Inocêncio afirmou, entretanto, que está afastada a hipótese, que chegou a ser considerada, de ACM sair do partido, levando com ele um grupo grande de parlamentares. Segundo ele, o grupo derrotado pensa em constituir um líder informal para manifestar suas posições no plenário da Câmara. Inocêndio se disse, no entanto, um conciliador e que se dispõe a ajudar no trabalho de unir o partido. Pefelistas avaliam que o caso Waldomiro Diniz deixou o governo sem muitos instrumentos para operar a favor da eleição de Pauderney Avelino. Aleluia foi eleito líder pela primeira vez no ano passado, com apoio de ACM e seu grupo. O fato de ter alçado vôo próprio e, ainda, sua disposição de se candidatar à prefeitura de Salvador esbarraram em ACM. É que o candidato do senador para a prefeitura soteropolitana era o deputado ACM Neto (PFL-BA). O grupo ligado a ACM não reconhece a liderança do Aleluia. Enquanto Aleluia fazia um discurso de conciliação, o deputado Paulo Magalhães (BA), sobrinho de ACM, pediu a palavra e afirmou que, diante da vitória de Aleluia, "está aberta uma dissidência dentro do partido". "Quero deixar isso claro". Fazendo coro, o deputado ACM Neto (BA) disse que o grupo "não reconhece o processo pré-eleitoral nem a eleição (de Aleluia). ACM Neto criticou a executiva do partido, que, segundo ele, desenvolveu uma ação "parcial" na eleição para a liderança do partido na Câmara. "Não se construiu um consenso", afirmou. "Isso deve se repetir nas ações partidárias neste ano".

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