Bornhausen lança biografia e conta fatos da política

Provocado para falar sobre seus 35 anos de vida pública, o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (PFL-SC), vai contar sua versão sobre vários fatos da política brasileira. Os dados coletados pelo jornalista Luiz Gutemberg estão na biografia que o senador lançará quarta-feira, dia 11, no Salão Negro do Congresso. O livro, que não traz novidades sobre a política nacional, tem o mérito de contar detalhes sobre fatos que entraram na história do País, como o período em que tentou garantir a governabilidade ao governo de Fernando Collor de Mello. "Como todo ansioso, Collor queria uma mágica", resume Bornhausen.Ele conta também o episódio em que o então presidente João Figueiredo decidiu partir para a briga corporal contra estudantes catarinenses em 1979. "Bornhausen, você é testemunha para a História! Xingaram minha mãe", bradava o presidente. "Vou lá embaixo resolver na porrada", disse Figueiredo, transtornado, enquanto descia as escadas do Palácio do governo. Naquele dia, pela primeira vez um presidente da República deu chutes e murros em estudantes.Bornhausen consegue relatar os episódios difíceis enfrentados pelo PFL, sem espinafrar os responsáveis pelos fatos. É assim, por exemplo, sobre a ocasião em que comunicou ao presidente Fernando Henrique Cardoso a decisão do partido de se afastar do governo. Além da reação pela apreensão de R$ 1,3 milhão no escritório da empresa Lunus, pertencente à então governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e seu marido Jorge Murad, havia denúncias de espionagem contra o próprio Bornhausen. Ele conta ter sido avisado que um "coronel Fontenele" vasculhava sua vida e a de seus filhos.O senador começou a conversa com o presidente, dizendo que iria seguir a orientação do secretário-geral do partido de Santa Catarina, Júlio Garcia, e recorrer ao Procon contra o governo. Diante do ar de espanto de Fernando Henrique, argumentou que os pefelistas se sentiam lesados."Compramos tucanos e recebemos arapongas", disse ao presidente. O senador constata em seguida que o "o riso freqüentemente facilita a introdução de assuntos graves". Mesmo endossando a explicação de Murad de que o dinheiro havia sido doado para a campanha de Roseana, Bornhausen revela que, desde os primeiros minutos do episódio, percebeu que "o tiro foi certeiro e o PFL estava sem candidata".

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