Bornhausen diz que País não está preparado para Lula

Entrevistado na noite passada no ?Roda Viva?, da TV Cultura, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), afirmou que o virtual candidato do PT à sucessão presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva, não está preparado para governar o País e que tampouco o País está preparado para ser governado por ele. Bornhausen admitiu que o PMDB caminha mesmo para a candidatura de Itamar Franco, a quem classificou de "um filme já visto", razão pela qual dificilmente os peemedebistas continuarão integrando a base governista. Ele defendeu a preservação da aliança PFL-PSDB para a disputa de 2002. Revelou que, pessoalmente, prefere que o candidato não pertença ao núcleo do poder central, citando para tanto os nomes da governadora Roseana Sarney (PFL-MA) e dos governadores tucanos Tasso Jereissati (CE) e Geraldo Alkmin (SP).Radicalismo fatal"Acho que nem o Lula está preparado para ser presidente, e nem o Brasil está preparado para o PT", disse Bornhausen. "O Brasil ainda não está economicamente sólido para mudanças radicais", completou. Segundo afirmou, mesmo que apresente um programa mais palatável, um governo petista teria que radicalizar, "não só para atender a seu eleitorado interno, cuja maioria é radical, como também em função das circunstâncias que se criarão".O medo dos investidoresSegundo o presidente nacional do PFL, mesmo que o discurso petista tenha mudado em relação às dívidas públicas interna e externa, ao equilíbrio fiscal e à estabilidade econômica, os investidores mantêm suas reservas quanto à sua veracidade. "Então, quando chegar o momento de sua posse, a situação será volátil", disse. "Ninguém pode desconhecer o que o capital faz em razão da sua defesa." Para Bornhausen, Lula vai ter que dizer o que pensa ao seu eleitorado, "que está esperando uma mudança radical". "Esse é o grande problema dele. Esse é o contraste que o PT vive, e vai continuar vivendo. Por isso é que eu disse que para o PT, que é um partido organizado, que tem crescido no tempo, que tem melhorado os seus quadros, ainda não chegou o momento de dirigir o País. Já chegou pela segunda vez à direção de São Paulo, e não deu conta do recado."Candidatura ItamarPara Bornhausen, não existe a menor possibilidade de o PFL apoiar a candidatura do governador mineiro. Ele tampouco acredita na possibilidade de que o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) venha a endossar o nome de Itamar. "Ele (ACM) tem mais razões do que ninguém para não apoiar o Itamar. E eu acho que o Luis Eduardo, lá de cima, não deixaria isso acontecer". E completou sua estocada: "O filme do Itamar, todo mundo já viu. Tem tanta coisa! Até carnaval! (numa referência à famosa cena do sambódromo).Candidatura SerraBornhausen elogiou o desempenho de José Serra no Ministério da Saúde, mas que isso não o transforma no melhor candidato da base governista. Para tanto, disse que a melhor oportunidade para Serra viabilizar o seu nome é disputar a eleição primária que propôs aos quatro partidos da aliança que sustenta o presidente da República: PFL, PSDB, PMDB e PPB. "Se isso não ocorrer, eu acho mais difícil. Mas ele (Serra) está atrás da governadora Roseana Sarney nas pesquisas."

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