Bornhausen diz a Aécio para se aliar a Kassab

Braço direito de prefeito no PSD recomenda aproximação com nova geração política

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - O ex-presidente do DEM e braço direito de Gilberto Kassab na articulação do novo PSD, Jorge Bornhausen, aconselhou o senador Aécio Neves (PSDB) a buscar uma interlocução direta com o prefeito para viabilizar seu projeto eleitoral em 2014. Os dois conversaram no interior de Minas Gerais nesta semana.

 

A avaliação no PSD é que Aécio, hoje, está no primeiro lugar da fila de candidatos tucanos à Presidência. Bornhausen vê espaço para o PSD apoiar o tucano. Ele e Aécio conversaram informalmente em duas oportunidades. Depois de participarem de um jantar na noite de segunda-feira em Uberaba, na casa do deputado Marcos Montes (DEM-MG), ainda almoçaram juntos na casa de outro amigo em comum no dia seguinte.

 

Um parlamentar que testemunhou os dois encontros e observou a dupla relata ter se deparado com um Aécio "paz e amor" em relação ao PSD. Não por generosidade, observa ele, mas por inteligência política, dada a inconveniência de combater algo que evoluíra da simples ideia de se criar um novo partido para um fato consumado.

 

Na conversa, Bornhausen falou que o PSD era resultado de uma mudança geracional que está se dando no cenário político partidário e arriscou uma sugestão: "Você tem que abrir a porta dos que são da sua geração. Tem que preparar o terreno para a frente e conversar com o Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente do PSB), com o Sérgio Cabral (governador do Rio de Janeiro, do PMDB), com Eduardo Paes (prefeito da capital fluminense, também do PMDB), e com Kassab".

 

A cúpula do futuro PSD entende que, quando se fala em nova geração da política, fala-se em tanto em Aécio quanto em Kassab e também defende a interlocução direta entre os dois.

 

Nos encontros, ficou claro para os parlamentares do PSD que por lá passaram que Aécio não está disposto a patrocinar nenhum tipo de ataque ao novo partido. Quer conviver e dialogar, ainda que o novo partido não seja seu parceiro preferencial, lugar já ocupado pelo DEM.

 

Embora a conversa com Bornhausen fosse uma forma de se aproximar do novo PSD, a expectativa de dirigentes do DEM era a de que a articulação também fosse útil a eles. Tanto é assim, que o encontro foi marcado na sexta-feira passada, com a ajuda do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem Bornhausen foi ministro.

 

Àquela altura, o DEM queria que Aécio aproveitasse a oportunidade para tentar convencer Jorge Bornhausen a intervir em favor da permanência do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, na legenda. Acabaram todos atropelados pelo anúncio da troca da legenda, horas antes do jantar com Aécio.

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