Bornhausen deixa DEM e abandona vida política

Quatro anos depois de refundar o PFL, o ex-senador anuncia que vai encerrar carreira

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo

06 de maio de 2011 | 21h58

BRASÍLIA - Exatos quatro anos e 38 dias depois de refundar o PFL com o nome Democratas, o presidente de honra do partido, Jorge Bornhausen, anunciou nesta sexta-feira, 6, que está deixando a legenda e que ficará sem filiação. Bornhausen diz que encerrou sua carreira política eleitoral. "Daqui em diante, serei um apreciador e um torcedor",afirmou.

 

Mas o ex-senador que já governou Santa Catarina e foi ministro de Estado de vários governos está longe da aposentadoria. Com ou sem filiação partidária. "Ele não está na linha de frente, mas está aconselhando, amaciando os caminhos", diz seu filho e deputado Paulo Bornhausen, hoje secretário de Desenvolvimento Econômico do governo de Santa Catarina. Diferentemente de seu pai, Paulo se desfiliou do DEM para ingressar no novo PSD que nascerá maior que o DEM em seu Estado.

 

O anúncio oficial da saída do advogado de 73 anos, mais de 40 deles dedicados à política, foi feito ontem, durante uma palestra do vice-presidente da República, Michel Temer, sobre reforma política, organizada pela Associação Comercial de São Paulo, na capital paulista. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, também participou do evento.

 

Bornhausen deixou o DEM depois de travar uma guerra interna com a direção que ele próprio instalara, na condição de braço direito do articulador do novo PSD que, não por acaso, esvaziou o Democratas.

 

Bornhausen Kassab julgaram-se traídos pela nova direção, que mudou por conta própria o texto do estatuto do partido aprovado na convenção que criara a legenda. A alteração suprimiu do presidente do Conselho Político do Democratas - o prefeito paulistano - a prerrogativa de conduzir as negociações e articulações políticas das eleições gerais de 2010. Escanteado no DEM, Kassab cruzou os braço e cuidou apenas de São Paulo. Deu o troco agora, ao lado de Bornhausen, mobilizando aliados Brasil afora para inflar o novo PSD.

 

Em 2005, durante a crise política produzida pelas denúncias do mensalão, Bornhausen chegou a comemorar o que julgava ser o ocaso do PT. Questionado se estaria decepcionado com as revelações de uso de caixa d9is em campanhas eleitorais petistas, ele reagiu: "Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos trinta anos". Começou aí o enfrentamento com petistas que se arrastou até a campanha eleitoral de 2010.

 

Durante um comício em Joinville (SC), o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o DEM deveria ser "extirpado da política". O alvo das críticas era o grupo de Bornhausen, que lamentou a "falta de civilidade e compostura" daquele que deveria ser presidente de todos os brasileiros, mas agia como "chefe raivoso de uma facção".

 

O confronto terminou e o PSD não se apresenta como partido de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff. Mas o grupo de Bornhausen diz que não mudou de lado. "Não temos briga no pessoal, mas o debate político continua e o adversário do PSD em Santa Catarina é o PT," afirma Paulo Bornhausen.

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