Bope tem fama 'indiscutível' de brutal, diz 'New York Times'

Jornal afirma que filme acende discussão sobre quanto o Brasil está disposto a aceitar em troca de segurança

BBC Brasil, BBC

14 de outubro de 2007 | 10h40

O Batalhão de Operação Especiais (Bope) da polícia do Rio de Janeiro tem fama "indiscutível" de violento, afirma uma reportagem do jornal americano The New York Times neste domingo, 14. O diário dedica uma matéria ao filme Tropa de Elite, que, segundo o jornal, acendeu a discussão sobre o nível de violência que a sociedade brasileira está disposta a aceitar em troca de segurança. A obra do diretor José Padilha conta a história real de uma operação do Bope para exterminar uma gangue de traficantes em uma favela próxima à casa do arcebispo do Rio, pouco antes de uma visita do papa ao Brasil, em 1997. "O filme oferece um olhar raro sobre o batalhão, que é retratado matando e torturando, aparentemente à vontade", diz o texto. "(A obra) está levando muitos brasileiros a refletir sobre o nível de violência policial aceitável, especialmente no Rio, uma cidade com uma taxa de homicídio seis vezes maior que a de Nova York." "Em particular, a tortura é apresentada no filme como um aspecto quase constante da violência urbana no Brasil, com policiais e traficantes competindo entre si para superar um ao outro na escala de brutalidade." Sob o título "Uma unidade violenta da polícia, nas telas e nas ruas do Rio" (tradução livre), a reportagem mostra como a imagem do Bope mudou nos dez anos a partir de quando se passa a trama. "Naquela época, o Bope tinha cerca de 120 membros e era considerado um santuário para policiais honestos no Rio. A força cresceu para mais de 400 hoje em dia, e sua reputação de incorruptível está desaparecendo", diz a reportagem. "Entretanto, sua reputação para a brutalidade é indiscutível." De acordo com o NYT, nenhum filme causou tanta "ebulição" no Brasil desde Cidade de Deus, que em 2002 traçou um retrato da violência nas favelas pelo olhar de um traficante. "Tropa de Elite deixou embaraçados quase todos os que o viram, suscitando, por exemplo, um debate sobre se o uso hedonista de drogas pelas classes médias e altas do Rio devem ser culpadas pela guerra na cidade."

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