Bons números da economia devem favorecer governistas

Segundo dados do Ministério da Fazenda, já são 23 trimestres seguidos de crescimento do valor do PIB

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2008 | 00h00

Políticos governistas reconhecem que os bons indicadores da economia e os resultados da política social do governo federal devem favorecer os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas campanhas municipais. Se o cenário se mantiver, será a primeira campanha recente em que aliados do governo não precisarão buscar votos nas ruas tendo de explicar escândalos pesados como o do mensalão ou das operações irregulares de compra de ambulâncias na máfia dos sanguessugas dentro do Congresso. Assim, os bons números da economia acabam sendo um novo e importante ingrediente para a campanha municipal. Segundo dados do Ministério da Fazenda, já são 23 trimestres seguidos de crescimento do valor do Produto Interno Bruto (PIB). O volume de consumo também cresce há 16 trimestres consecutivos e o investimento também tem aumentado há 15 trimestres.Na área de emprego, tema sempre sensível em eleições, o governo também tem boas notícias. Foi anunciada, na última terça-feira, a abertura de 204,9 mil empregos com carteira assinada em fevereiro. Esse resultado foi 38,5% superior ao saldo do mesmo período em 2007. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, é o novo recorde da série histórica, iniciada em 1992, para os meses de fevereiro. Na área social, a expansão de programas como o Bolsa-Família e o Luz Para Todos é apontada como outro grande fator de impulso de campanhas de candidatos governistas."Sem dúvida, é um momento muito favorável para os candidatos governistas", concorda o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS). "E nossa idéia é vincular fortemente a imagem do sucesso do governo e do presidente Lula ao processo eleitoral."Já os partidos de oposição apostam que o bom momento do governo não será decisivo. "Não dá para federalizar uma eleição municipal. Os temas são muito locais e o eleitor tem interesse em saber o que farão pela cidade dele e não se o presidente Lula é bom ou ruim", acredita o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ)."A situação positiva da economia oferece argumentos para os candidatos da base", reconhece o líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), candidato à Prefeitura de Salvador. "Mas esse assunto não será dominante na campanha. Os principais focos serão sobre temas locais. Além disso, Lula não será adversário de ninguém porque não é candidato a nada", avalia ACM Neto.O problema é que, com uma base de apoio tão ampla, os petistas terão de disputar com outros partidos de sustentação do governo o direito de faturar eleitoralmente o bom momento da administração Lula. Sobram exemplos de capitais e de cidades importantes onde haverá confronto direto entre candidatos de partidos aliados. Assim, a tendência é que Lula evite ao máximo fazer campanha direta em cidades onde haja risco de divisão de candidatos aliados.

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