Gustavo Lima/Câmara dos Deputados
Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

Bonifácio resiste a pressões e diz que continuará na relatoria da denúncia contra Temer

Deputado tucano já começou a estudar o pedido da PGR e disse que não vai desistir da tarefa, que considera 'de muita importância'

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2017 | 20h09

BRASÍLIA – Relator da denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência), o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) deu sinais de que não pretende abdicar da função na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O tucano já começou a estudar o pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) e avisou que não pretende participar da reunião da bancada do PSDB nesta terça-feira, 3.

Bonifácio contou que vem recebendo telefonemas e mensagens “de todos os tipos” desde que foi nomeado pelo presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). “Relator de uma matéria dessa é objeto de todo tipo de conversa”, comentou. O tucano aguarda agora a apresentação das defesas por escrito dos acusados para marcar a data de entrega de seu parecer.

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O deputado enfatizou que aceitou a missão por considerar uma tarefa de “muita importância” e que não pretende abrir mão do trabalho que já começou. “Eu não (vou desistir), não há nada disso”, ressaltou. Ele disse que não foi procurado nem pelo presidente interino da sigla, senador Tasso Jereissati (CE), nem pelo líder da bancada, Ricardo Tripoli (SP).

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Nos próximos dias, Bonifácio será confrontado pela oposição sobre sua isenção na apreciação da denúncia. Os oposicionistas vão questionar as entrevistas do relator, onde ele criticou a delação premiada dos executivos da JBS. Alguns parlamentares acreditam que ao atacar a delação do empresário Joesley Batista, Bonifácio antecipou sua posição e expôs sua tendência de votar à favor de Temer. “Vamos contestar as posições que ele tem tido”, disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG)

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CRISE

O relator disse “não ter dúvida” de que sua indicação será objeto das conversas na reunião da bancada do PSDB, marcada para amanhã à tarde. Os tucanos vão discutir com advogados do partido o conteúdo da denúncia. “Não vou de jeito nenhum. Dessa reunião não devo participar porque vai tratar de um tema que diz respeito ao meu relatório. Não posso participar, é algo fora do debate de terceiros”, respondeu.

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A indicação de Bonifácio provocou uma nova crise na bancada do PSDB, que enxergou na escolha de Pacheco uma tentativa de constrangimento ao partido. Pacheco ignorou os apelos de Tripoli para que desta vez não escolhesse nenhum tucano para a desgastante missão.

Na primeira denúncia, enterrada em agosto, o relatório que livrou o presidente da República veio do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) e a bancada ficou dividida no plenário. Dos 47 deputados, 22 foram contra o prosseguimento da denúncia, 21 a favor e quatro se ausentaram. 

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